Leitura do Fim do Mundo V

Estivemos
conversando com alguns escritores, críticos, jornalistas e professores a
respeito de um tema bastante citado ultimamente: o fim do mundo, que acontece no dia 21 de dezembro de 2012 - mais conhecido como hoje.
E, aproveitando os últimos instantes de existência - tanto virtual
quanto real -, perguntamos para cada um deles qual seria sua última
leitura (ou releitura) antes que o mundo acabe.
Para as últimas leituras da sessão Leitura do Fim do Mundo, convidamos a poeta Maria Carpi, a escritora e professora Jane Tutikian, os poetas Guto Leite e Diego Grando, e os escritores Daniel Galera e Airton Ortiz:

Jane Tutikian
Minha última leitura seria Água Viva, da Clarice Lispector, que considero um livro estética e humanamente perfeito e tem um dos finais mais belos que até hoje já li.

Guto Leite
A minha última leitura certamente seria a cena final da batalha do Paredão em Grande sertão: veredas, quando Riobaldo se depara com o corpo de Diadorim morte e descobre tratar-se de Diadorina. Culminando um movimento tão rigoroso levado ao longo de toda a narrativa, a delicadeza dessa cena sempre me assombrou e choro mais ou menos todas as vezes que leio na intimidade (algumas vezes em público também).

Diego Grando
Minha última leitura seria o livro mais recente do Paulo Henriques Britto, Formas do nada, como aperitivo pra esse retorno ao nada. Mais especificamente, eu ficaria lendo em looping o poema Madrigal, que começa dizendo "Desista: não vai dar certo. / O mundo é o mesmo de sempre, / desejo é uma coisa cega. / Desista, enquanto é tempo." e termina com um "Desista, que a vida é incerta. / Ou insista. Dá no mesmo."

Airton Ortiz
A Bíblia, um livro de não-ficção, por ter sido escrito numa linguagem tão simbólica, com o passar dos milênios se transformou num livro de ficção; e cheio de aventuras. Estou lendo o Velho Testamento, assim vou me acostumando com a ira de Deus. E tão logo o encontre, quero dizer-lhe uns impropérios por ter se dobrado à previsão dos maias. Logo ele, que tudo podia.
Daniel Galera
Bom, se eu tivesse certeza absoluta de que o mundo
acabaria dia 21 ou qualquer outro dia, minha última leitura seria:
nada. Faria alguma outra coisa, um churrasco, ou iria nadar e depois
ficaria deitado no chão olhando pro teto. Mas se fosse mesmo obrigado a
ler algo, acho que leria Do inconveniente de ter nascido, do filósofo
romeno E. M. Cioran. Um bom livro pra compreender que a tragédia do fim
empalidece diante da verdadeira tragédia, que é a tragédia do começo.
Sem sarcasmo nenhum, acho esse livro tremendamente verdadeiro e
inspirador, e sempre que releio uns trechos ele me enche de vontade de
viver.
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