Letra de médico
Não é -- ou, pelo menos, não deveria ser -- segredo o fato de a literatura não ser um meio de vida lá muito lucrativo. Mas os escritores se viram como podem. Alguns ingressam na vida pública, outros trabalham com qualquer coisa que envolva o ato de escrever (tradução, jornalismo etc.) e ainda há os que se metem numa série de subempregos, sem o mínimo traço de critério e bom senso. Existe, porém, uma constante nessa relação entre ganhar o pão de cada dia e a escrita: a medicina. E, hoje, no dia em que se comemora o Dia do Médico, confira alguns dos principais autores que se dedicaram à profissão:
Primeiro poeta a receber o Prêmio Açorianos de Livro do Ano, em 2010, Marco de Menezes vive em Caxias do Sul e lá atua como plantonista e médico-auditor em hospitais da cidade. Segundo afirmou em entrevista a Zero Hora, ele tem bem claro em sua mente a divisão entre as duas coisas. "A poesia é anterior à medicina na minha vida", disse. Perguntamos a ele como é lidar com as duas atividades hoje:
Costumo dizer que o poeta não dorme - lá onde o médico precisa de repouso. Como minha vida com o mundo da literatura se iniciou antes do exercício da profissão médica, certa crise se instaurou quando passei a dividir espaço entre as duas atividades. Hoje, medicina e literatura convivem em certo equilíbrio instável, uma esperando a outra na esquina pra dar um susto.
Costumo dizer que o poeta não dorme - lá onde o médico precisa de repouso. Como minha vida com o mundo da literatura se iniciou antes do exercício da profissão médica, certa crise se instaurou quando passei a dividir espaço entre as duas atividades. Hoje, medicina e literatura convivem em certo equilíbrio instável, uma esperando a outra na esquina pra dar um susto.

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