sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Cultura de luto pela perda de Sérgio Napp








MUITO ALÉM DOS DESGARRADOS

"Vamos fazer um grupo para escrever juntos, topa?", propus. Napp foi o primeiro que topou. Depois saímos procurando escritores que pudessem compartilhar essa loucura. E encontramos. Foram dez anos, dois livros e muitos encontros cheios de leituras, conversas, discussões e afetos incontrolados. E revelações. Seus olhos claros liam textos ácidos, intensos, assustadores, capazes de arrepiar até mesmo os seus respeitáveis cabelos brancos.  Homem de surpresa. Me ensinou a ser ágil, a encontrar palavras exatas para os momentos certos. Brincávamos de dizer a verdade e assim construímos um amizade maior que a palavra. Hoje, na virada da meia noite, seu coração bateu em despedida e foi embalar outras verdades. Da última vez que falamos me disse que ainda tinha muitas histórias para contar e muitos versos para escrever. E assim será. Um homem cheio de verdade, coragem e posição imprime esse jeito por onde passa. E fica por onde passou. Grande brincador de palavras, Napp deixa o mundo no dia do brincar e sai festejando a vida plena que teve, os olhares amorosos que recebeu, os afetos íntegros que compartilhou e nós, aqui seguimos, entendendo que a vida é dura, ácida e cheia  de momentos difíceis. Mas o que seria da gente sem a generosidade dos poetas que ainda nos ensinam a cantar?" (Christina Dias)

DÍVIDA
"Algumas pessoas não deveriam morrer antes de chegaram a patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. A cidade vai ficar devendo isso ao Sérgio Napp. Poucas pessoas acrescentaram tanto à nossa cultura quanto ele, com um olhar universal sobre o nosso gauchismo." (Airton Ortiz)

AFETO
"O Napp era um querido, antes de mais nada. Um amigo de fé, dono de um humor peculiar e de um afeto sem tamanho. E era um sujeito que criava coisas: letras de música, poemas, prosa. Publicamos um livro dele na época em que eu dirigia o Instituto Estadual do Livro, um belo volume  de poemas. Mais tarde, ele passou a frequentar minha casa por causa dos Seis de Poa, aquela adorável turma que escrevia livros infanto-juvenis em sistema coletivo, da qual meu marido faz parte. No ano em que perdemos o Carlos Urbim, que também integrava Os Seis de Poa, a perda do Napp é um golpe em cima de uma cicatriz viva. Triste demais." (Cintia Moscovich)

POESIA
"Napp, um poeta da poesia que se quer na prosa, na música, no canto popular. Napp, um poeta que ser quer na poesia que inventa a vida." (Nelson Coelho de Castro)

SAUDADE
"Saudades de Sergio Napp. Difícil de dizer de qual Sergio sentirei mais saudades. Do escritor de livros infantis que encantam os adultos, reforçando a máxima de despertar a criança dentro de cada um de nós. Do colega de banca de concursos literários, que fazia questão de analisar cada texto. Do letrista maravilhoso que embalou muitos momentos de minha vida. Ficamos nós com nossa saudade, e tu vais sorrindo, Sergio querido, pois já sabias que o longe é perto o que vale é o sonho." (Márcia Ivana Lima Silva)

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