quinta-feira, 25 de junho de 2015

O ADEUS DE NICO FAGUNDES (1934 - 2015) AOS GAÚCHOS E GAÚCHAS DE TODAS AS QUERÊNCIAS


Uma das populares e respeitadas figuras do Tradicionalismo gaúcho, o polivalente Antônio Augusto "Nico" Fagundes, 80 anos, faleceu na noite de dia 24 de junho, vítima de infecção respiratória, após um mês de internação no Hospital Ernesto Dorneles, em Porto Alegre. Folclorista, poeta, compositor, historiador, jornalista e apresentador de TV, ele construiu sua reputação sobretudo por conta de canções como "Origens" e "Canto Alegretense" e ao comando, por três décadas, do programa dominical "Galpão Crioulo" na RBS TV. Nico deixa a esposa Ana Lúcia Fagundes e seis filhos.
Trajetória
Natural do Inhanduí, interior de Alegrete/RS, Nico era formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e mestre em Antropologia Social pela UFRGS. O seu ingresso na imprensa ocorreu aos 16 anos, como cronista e repórter do jornal "Gazeta de Alegrete", época em que também passou a apresentar programa humorístico e gauchesco na rádio local. Em 1954, mudou-se para Porto Alegre, ingressando no 35 CTG, do qual posteriormente se tornaria patrão. Naquele mesmo ano, começou a atuar no Jornal "A Hora", como redator e autor de página dedicada ao regionalismo.
Em 1955, Nico passou a fazer parte do Instituto de Tradição e Folclore (IGTF) e se especializou em cultura afrogaúcha. Como pesquisador de literatura, indumentária, culinária e danças folclóricas, foi professor e uma das maiores autoridades do assunto. A carreira incluiu, ainda, experiência como sapateador do grupo Os Gaudérios, com o qual excursionou pela Europa, chegando a morar quatro meses em Paris. Foi também um dos fundadores e diretores do Conjunto de Folclore Internacional Os Gaúchos. Ainda no IGTF, fundou e lecionou na Escola Gaúcha de Folclore (1960-1966). Em 1990, fundou e assumiu o comando do grupo Cavaleiros da Paz, com o qual empreendeu cavalgadas por diversos países da América do Sul. Quatro anos depois, assumiu a presidência do IGTF.
Na TV, foi ator na TV Piratini e em filmes como "Para Pedro", "Ana Terra", "Negrinho do Pastoreio" e "O Grande Rodeio", também desempenhando funções de consultoria, produção, direção e roteiro. Em 2000, Nico Fagundes sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e chegou a se afastar do "Galpão Crioulo", mas se recuperou. No ano seguinte, juntou-se aos sobrinhos Neto e Ernesto e ao irmão Bagre Fagundes para formar o grupo Os Fagundes e, no ano seguinte, despediu-se da atração dominical que comandava desde 1982nda RBS TV.
Produção literária
Já a produção literária de Nico Fagundes abrange dezenas de obras nos gêneros poesia, prosa e ensaio, 12 dos quais disponíveis para consulta e empréstimo na Biblioteca Pública Josué Guimarães do Centro Municipal de Cultura.
Para a Editora da Cidade / Coordenação do Livro e Literatura/SMC, em 2008 ele assinou a apresentação do ensaio "Nativismo, Um Fenômeno Social Gaúcho" (Barbosa Lessa) e em 2012 traduziu o clássico "Martín Fierro", de José Hernández. Em 2014, o seu livro "Os Dez Putos de Bagé" (Ed. Gazeta) foi finalista do Prêmio Açorianos de Literatura, na categoria Contos.




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