segunda-feira, 13 de maio de 2013

Poesia e Forma - Sobre Ronald Augusto

Ronald Augusto vai ministrar a Oficina Poesia e Forma, nos dias 23 e 24 de maio na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães. Ele respondeu algumas questões para a CLL e contou um pouco mais sobre a carreira.
 CLL - Conte um pouco sobre a tua carreira.
Ronald Augusto - Comecei a me interessar por poesia graças à minha mãe que um dia resolveu ler para mim os poemas que ela escrevia. Fiquei intrigado, pois sua voz não era a voz de sempre, havia um outro tom, outro timbre e andamento em sua dicção. Sem que minha mãe soubesse ela me ensinou que poesia tem muito de artifício, embora isso não queira dizer que a poesia tenha a ver com o mero trocadilho ou com jogo de palavras; artifício é empregado aqui como sinédoque de arte. Nesta época eu devia ter uns 13 anos. Somente oito ou nove anos depois lancei meu primeiro livro de poesia, Homem ao Rubro (1983). Desde então, com largos intervalos tenho publicado meu poemas e livros. Em 1992 lancei pela Col. Petit Poa (SMC) o livro Vá de Valha, depois foi a vez de Confissões Aplicadas (2004) e recentemente o livro Cair de Costas com financiamento do Fumproarte. Também em 2012 lancei a primeira reunião dos meus textos de crítica, Decupagens Assim (Ed. Letras Contemporâneas). Sou diretor e editor do website www.sibila.com.br e músico da banda Os poETs.
CLL - Quais teus autores favoritos?
Ronald Augusto - Sem pensar muito, mas depois de muito ler poesia (e prosa), tanto a boa, quanto a ruim, aí vão os meus preferidos: Manuel Bandeira, Dante, Machado de Assis, Ezra Pound, Drummond, João Cabral, Oliveira Silveira...

CLL - Como tu enxerga a criação e valorização da poesia hoje?
Ronald Augusto - Acho que estão em franca expansão, mas o problema é que em ambos os casos há uma excessiva naturalização da linguagem; entronizamos a noção de que um poema deve ser "comunicativo", isso para mim cheira a "atender ao cliente", ou seja, não por em questão a preguiça do leitor impaciente com uma certa dificuldade virtuosa do poema. Afinal de contas os grandes poemas e textos “são aqueles que nos tornam estrangeiros”. Em outras palavras, numa primeira aproximação o texto artístico (sim, estamos falando de arte) se apresenta como que vertido em uma língua estranha, mas ao mesmo tempo remotamente familiar. Depois esse estranhamento vira fruição e estamos conversados.

CLL - O que tu podes adiantar da oficina? Expectativas.
 Ronald Augusto - Muito diálogo e informação. No mínimo quem participar da oficina sairá dela consciente de que a tarefa do leitor, isto é, seu desejo de linguagem e de interpretação, é congenial ao ímpeto criativo do poeta. A leitura-fruição implica em uma resposta criativa e crítica equivalente ao desafio que cada poeta com seu poema (sempre um novo modelo de sensibilidade), felizmente, nos propõe entre as capas do seu livro.

 
O quê: Oficina Poesia e Forma: linguagem carregada de significado
Quando: 23 e 24 de maio (quinta e sexta-feira), às 17h.
Onde: Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães (Erico Verissimo, 307).
Quanto: Gratuito - inscrições somente pelo telefone 3289.8072. Vagas limitadas.


Informações: Coordenação do Livro e Literatura
3289.8072/8071
cll@smc.prefpoa.com.br

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