quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Finalistas Açorianos: Criação Literária em Poesia | Nei Duclós

Nei Duclós | Foto: Divulgação

O escritor Nei Duclós também é finalista na categoria Criação Literária em Poesia do Prêmio Açorianos de Literatura 2012, ele concorre a categoria com o livro Pampabismo | Enigminas: Conversos. Dá uma olhadinha no que ele respondeu pra CLL na nossa sessão de entrevistas!

CLL - De que maneira começou a tua relação com a poesia? Começou primordialmente por ela ou teve passagem por outros gêneros literários?

Nei Duclós - Comecei a fazer poesia aos nove anos de idade, logo depois que voltei de uma temporada na praia. Nascido e criado no pampa, foi grande o impacto da paisagem do mar, que se movimentava, tinha vida. Mais tarde, aos 14 anos, arrisquei meu primeiro romance, escrito em cadernos estudantis espiralados. As crônicas e contos vieram naturalmente depois. E por último, a literatura infanto-juvenil. Mas a poesia é que me mantém a maior parte do tempo ligado ao ofício literário. Todo dia é dia de poema.


CLL - Qual é a mesura entre um poema bom e um poema ruim? O que qualifica a poesia?


N.C. - Há poemas que saem praticamente prontos e outros que exigem enorme trabalho de elaboração. Ficar satisfeito com o primeiro resultado pode garantir a espontaneidade, mas é uma armadilha: talvez o poema fique datado ou se revele sem força ou qualidade ao longo do tempo. O poema elaborado, escrito mais de fora para dentro, tem mais chances de garantir o rigor, mas pode perder em graça, sabor, mas isso também não é obrigatório.

Há muitos caminhos para a poesia ter qualidade. Mas principalmente ela precisa ter a marca da originalidade do autor, que compõe sua obra como na música: são poucas notas, as palavras usadas, mas o importante é a melodia que conseguimos tirar delas. O que qualifica a poesia é essa relação profunda entre o verbo e a autoria, o exercício de um ofício que, como todos, aspira à excelência., à perfeição.


CLL - Poesia é visceral ou racional?

N.C. - Poesia é racional, mas não dispensa o talento. É uma intervenção artística sobre a palavra dentro de ritmos, estruturas, arranjos melódicos. Sua matéria-prima não é a emoção, os sentimentos, os conteúdos, os temas, os motes, as glosas, mas as letras, sílabas, palavras, versos, estrofes . É a lição eterna de Drummond: “penetra surdamente no reino das palavras”. Surdamente, ou seja: cortando o diálogo interno e se entregando ao que a palavra é e oferece.


CLL - Tu vê a internet como um bom meio para divulgar o escritor, ou o livro ainda é o melhor canal? Qual é a expectativa que tu tens com a publicação?

N.C. - Toda inovação se soma ao que já existe. Foi assim como a fotografia em relação à pintura, o cinema em relação à fotografia, a TV em relação ao cinema, e a internet em relação ao impresso. Acho que existe uma grande perspectiva positiva com os ebooks, uma experiência que inaugurei este ano fazendo um relançamento e mais três lançamentos, nas áreas de poesia, romance e crônicas. Mas o impresso continua sendo âncora e referencial importante.

Um livro tem presença física, faz barulho ao cair, para em pé numa estante, exige manipulação, tem forma, cheiro, é um objeto de amor . Enquanto o ebook pode ser carregado em qualquer ambiente digital, o livro é o amigo que descansa os olhos das telas luminosas e faz parte da vida objetiva, e não apenas virtual, das pessoas.


CLL - Qual a importância do Prêmio Açorianos pra ti e como tu acredita que ele repercute dentro da classe artística da região?

N.C. - Acho muito importante o apoio, o reconhecimento, o prestígio, a repercussão. É uma chance de o autor ver reconhecida e divulgada a sua obra. Dar força ao trabalho literário da região é fundamental para reforçar essa ligação do autor com o ambiente que nos criou.

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