sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Finalistas Açorianos 2012: Poesia | Diego Grando

Diego Grando | Foto: Leonardo Brasiliense
Conhece os finalistas do Prêmio Açorianos de Literatura? Não? 

Pois bem, a CLL preparou uma série de entrevistas com eles pra tu ficar por dentro do que anda rolando em cada categoria: hoje abrimos com Poesia, e quem falou com a gente foi o escritor Diego Grando, finalista no prêmio com o  livro Sétima do Singular (Não Editora, 2012).

CLL - De que maneira começou a tua relação com a poesia? Começou primordialmente por ela ou teve passagem por outros gêneros literários?
D.G - É difícil dizer com precisão, mas acho que foi pela via da música, do rock, principalmente o cantado em português. Não me interessavam a atitude e a fachada de rebeldia, mas o lance da letra mesmo, da articulação entre som, silêncio e sentido, dos jogos de palavras. Tanto é que, muito antes de querer aprender a tocar violão, eu já escrevia supostas "letras de música", que obviamente nunca foram além das últimas páginas dos cadernos. Aí acho que, passado um tempo, talvez no último ano do colégio, comecei a ler poesia mesmo, os livros que meu irmão tinha em casa (ele é cinco anos mais velho), e me lembro de alguns: Augusto dos Anjos, uma pequena coletânea comentada do Drummond, a poesia completa do Ferreira Gullar.

Depois fui estudar Letras, o universo de leituras se expandindo, sobretudo os outros gêneros (se lê pouca poesia num curso de Letras, ou pelo menos na minha experiência, ou pelo menos de acordo com os meus interesses e expectativas). De modo geral, sempre li muita prosa, talvez tanto ou mais do que poesia. Nesse período, aliás, também frequentei a oficina do Assis Brasil, escrevi contos, publiquei-os, etc., mas já sentia que o meu negócio mesmo era poesia.

CLL - Como é teu trabalho? Tem um rigor, uma rotina? Como tu concilia a produção poética com a tua outra profissão?
D.G - Em geral escrevo muito pouco, e muito lentamente. Nos períodos que minha vida permite, gosto de ter uma rotina diária e trabalhar todas as tardes, mas isso depende muito do momento, de um certo estado poético interior. Ano passado, por exemplo, devo ter passado uns oito meses revisando e reescrevendo e organizando o Sétima do singular, que publiquei esse ano. Mas, claro, revisar e reescrever já é um outro estágio da criação.
 
Atualmente, até em função de Sétima do singular ser ainda recente, tenho me dedicado a tomar notas, sobre as quais daqui a algum tempo pretendo trabalhar. Mas não tenho aquela ânsia de escrever os poemas logo, porque em geral preciso de um projeto de livro, uma espécie de norte, um plano geral, e isso acontece a todo instante dentro da minha cabeça. E, bom, isso significa que o próximo livro deve vir daqui a uns 4 anos.

CLL - Qual é a expectativa que tu tens com a publicação da tua poesia? Por que é importante publicar?
D.G - Não sei bem qual é a expectativa. O primeiro livro, bem, tem algo de primeiro livro, de querer mostrar e ter algum tipo de reconhecimento e retorno. Funciona como uma carteira de identidade, uma placa de ei-estou-aqui! Aí tu começa a dimensionar melhor o funcionamento das coisas, a velocidade do mundo literário e tudo mais.

Depois acho que é uma questão de insistência, um misto de crença no teu projeto estético com uma cabeça-dura. É, cabeça-dura é fundamental para a poesia.
CLL - Qual a importância do Prêmio Açorianos pra ti e como tu acredita que ele repercute dentro da classe artística da região?
D.G - Ah, eu fico muito lisonjeado com a indicação. Fiquei em 2008, quando meu primeiro livro, Desencantado carrossel, foi indicado, e voltei a ficar agora. É uma forma de reconhecimento, de legitimação de um trabalho.

Como repercute eu não sei bem, porque não estou tão inserido assim na "classe artística da região". Mas acho que é algo natural, como qualquer outra premiação: um pouco mais de exposição, um pouco mais de reconhecimento.



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