quarta-feira, 5 de setembro de 2012

As falas de um trono independente

E, nessas épocas de setembro, enche-se o brasileiro patriota de orgulho e satisfação. Chegam os dias de recordar os - outros - dias oficialmente (e reiteradamente) recordáveis durante todos os anos, desde que, enfim, aconteceram. Sabe-se que um destes, o dia 07 de setembro, marca o suposto e contestado grito bradado pelo então D. Pedro de Alcântara de Bragança às margens do Riacho Ipiranga:

 Independência ou morte! 

Os ânimos, consideremos, eram os mais brasileiros possíveis àquele momento. O surgimento de um Brasil Império fez questão de inflar sentimentos antes inafloráveis em uma (agora) nova espécie de indíviduo - o brasileiro. Esse novo ar independente é o mesmo respirado logo mais tarde, em 1823, durante as Falas do Trono, proferidas pelo Imperador à Assembleia Constituinte do Império.

Mofando e, sem ninguém saber, esquecido numa das prateleiras sobre a história do Brasil da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, o livro Falas do Trono: desde o ano de 1823 até o ano de 1889 (INL, 1977), reúne essas falas - versão pop de outras, como, por exemplo, os discours du trone franceses -  ditas pelos governantes do brasil independente, recém-nascido da colônia americana portuguesa.

Para dar um leve gosto aos mais nacionalistas e uma prova histórica aos não tão patriotas, resgatamos - por debaixo da poeira também histórica - trechos do livro que ilustram as sensações tão excêntricas desse período de emancipação nacional. Na primeira fala, durante a Assembleia Constituinte de 1823, o imperador já abria animado o seu discurso: 

É hoje o dia maior, que o Brasil tem tido; dia em que ele, pela primeira vez, começa a mostrar ao mundo que é Império e Império Livre. Quão grande é me prazer vendo juntos representantes de quase todas as províncias fazerem conhecer umas às outras seus interesse, e sobre eles basearem u a justa e liberal constituição, que as reja. Deveríamos já ter gozado de uma representação nacional; mas a nação não conhecendo a mais tempo seus verdadeiros interesses, ou conhecendo-os, e não os podendo patentear, visto a força, e predomínio do partido português que, sabendo mui bem a que ponto de fraqueza, pequenez, e pobreza Portugal já estava reduzido, e ao maior grau a que podia chegar de decadência, nunca quis consentir (sem embargo de proclamar liberdade, temendo a separação) que os povos do Brasil gozassem de uma representação igual àquela que eles não tinham. Enganaram-se nos seus planos conquistadores, e deste engano nos provém toda a nossa fortuna.
O Brasil, que por espaço de trezentos e tantos anos sofreu o indigno nome de colônia, e igualmente todos os males provenientes do sistema destruidor então adotado [...] exultou de prazer: Portugal bramiu de raiva, tremeu de medo. O contentamento, que os povos deste vasto continente mostraram nessa ocasião, foi inaudito; mas atrás desta medida política não veio, como devia ter vindo outra, qual era a convocação de uma assembleia, que organizasse o novo Reino.
Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil


Para ver outras falas do trono e as respostas do povo a elas, retire o livro Falas do Trono na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães.

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