quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Retrospectiva Açorianos: 2008

Vencedor na categoria Livro Especial e Ensaio de Literatura e Humanidades: Machado e Borges e outros ensaios sobre Machado de Assis, de Luís Augusto Fischer 

Não é novidade que Machado e Borges se tornaram uma questão que agrada os que têm gosto por duelos. Algo parecido com outras disputas regionais, como no âmbito do futebol, no qual Maradona e Pelé se tornaram rivais. Deixando de lado os radicalismos infundados, comparar os dois escritores sempre foi interesse dos nossos estudiosos, porém, sem muito apego aos detalhes e relevância. Apesar de discordâncias salientes, ambos os autores compartilhavam semelhanças entre si, como a de serem considerados os maiores escritores de seus países natais.

O livro de Luís Augusto Fischer vem para definitivamente se ater em todas as ligações que ocorrem entre os dois escritores, estabelecendo assim, uma obra única, relevante para toda a América Latina. O livro é dividido em duas partes. A primeira delas, Sobre Machado e Borges, se detém em uma análise minuciosa sobre os dois, levando em conta a geografia, a história local, biografia e estética de cada um. Somado aos latinos, Fischer adiciona um terceiro escritor para entendermos melhor as atrações e repulsas dessas forças da escrita. É ao falar do norte-americano Edgar Allan Poe, e o legado de sua obra, que as relações se tornam mais nítidas. Já no segundo ensaio, A invenção das distâncias, o autor foca-se mais na matéria dos contos na obra de Machado de Assis, dando-lhes a devida atenção e destaque.


Fischer, em uma entrevista feita pelo jornal Zero Hora, fez algumas associações entre os escritores. Segundo ele, ambos os autores em questão "leem a tradição nacional respectiva e, apreciando criticamente o que já foi feito, rejeitam as restrições nacionalistas, sem nunca perderem de vista a matéria local com que trabalham". São de suma importância para o seu cenário particular e para o fora dele. Além disso, Fischer chama a atenção para a forma que ambos observavam o realismo. Segundo o autor, Machado poderia ter optado integralmente pela corrente naturalista, em alta durante a sua época, enquanto que Borges decidiu não se ater aos neorrealistas, que se destacavam no seu período de vida. Preferiram enveredar por novos caminhos e o porquê disso merece nossa atenção. 

Embora Jorge Luis Borges seja um escritor que já conseguiu se estabelecer no patamar mundial, Fischer afirma que Machado está nessa direção também. O idioma português e até os ineditismos das ideias do brasileiro já foram barreiras, porém, hoje estão perdendo importância. Novas traduções surgem por diversos países, e com isso, cresce o número de leitores devotados e a ateção da crítica. 

Mais sobre o autor: 

Luís Augusto Fischer (Novo Hamburgo, 1958) é também ensaísta e professor. Escreve para vários jornais, como Zero Hora e Folha de S. Paulo. Entre 1993 e 1996 foi coordenador do Livro e Literatura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. De 1998 a 1999 foi presidente da Associação Gaúcha de Escritores. Além de ensaios, já publicou livros de contos, crônicas e teoria literária. É um dos organizadores do evento Sarau Elétrico, que ocorre semanalmente em Porto Alegre. Em 2007, recebeu o Prêmio Joaquim Felizardo, por ser considerado o intelectual do ano da cidade de Porto Alegre.

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