sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Entrevista: Sérgio Capparelli

Dedicado ao público infantil, o escritor Sérgio Capparelli é formado em jornalismo pela UFRGS e já escreveu diversos estudos sobre comunicação social, além de ter trabalhado em jornais porto-alegrenses como a Zero Hora e Folha da Tarde. Em 2010, lançou o livro A lua dentro do coco, que é finalista na categoria Infantil do Prêmio Açorianos de Literatura 2011.

Conversamos por e-mail com o autor sobre a história do livro, a utilização de poesia como linguagem para a narrativa e a contribuição das ilustrações e do projeto gráfico para a unidade do produto final.



Tuas viagens pela China foram a semente para a ideia de recontar (ou, melhor, apresentar para o público infantil ocidental) uma fábula chinesa no teu livro? Em que medida lançaste tuas ideias dentro da narrativa?

Ainda me pergunto se é de fato uma lenda chinesa. Claro, ouvi a história na China. Mas (pode ser falsa memória) me lembro dela na escola onde estudei, sem que, no entanto, me dissessem de onde vinha. Por outro lado, me fascina a narrativa de uma busca sem fim que compõe a própria vida. Uma vez escrevi sobre crianças que como eu corriam no campo atrás dos pirilampos – e de suas luzes. Mais tarde, continuarmos a correr em um campo maior, atrás de outras luzes. Outras luzes? Não sei. Talvez sejam as mesmas.

A linguagem do livro é composta por versos. A utilização da poesia e do recurso da rima são fatores de aproximação para o público infantil? Essa linguagem ajuda no desenvolvimento cultural e intelectual das crianças?

No caso, os versos são apenas outra forma de expressão, já que se trata de um poema narrativo. Como o texto é curto, a criança pode pesquisar seus ritmos (ritmos delas, crianças) em contato com os ritmos da história. E também com a musicalidade. Acho que o poema é um gênero adequado para crianças dessa idade, que descobrem as palavras, seus sons e seus significados.

Literatura infantil é, normalmente, constituída da soma da palavra escrita e de ilustrações para atiçar a imaginação dos leitores. No caso de 'A lua dentro do coco', que outras funções o projeto gráfico e as ilustrações têm além de tornar a obra mais atrativa para o público ao que se destina?


Acho que o Guazzelli e o Marcos Koprowski foram muito felizes nas ilustrações e projeto gráfico. Em vez de apenas ilustrar um livro, participaram da narrativa, trabalhando tanto sobre imagens tradicionais como sobre a materialidade da escrita. Em outras palavras, os significantes poéticos fizeram-se em si mesmos significados, depois do trabalho visual realizado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário