quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Colecionando palavras

Mal deixamos Celso Sisto assimilar a notícia de que havia recebido o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria Infantil e o título de Livro do Ano, por seu trabalho em Diáfana, e fomos bater um papo com ele. 


Sisto nos contou por que acha Diáfana diferente de seus outros livros infantis, como foi o processo de escrita do livro e de que forma seu trabalho como professor influenciou o texto final:

Celso, o que está passando agora pela sua cabeça, com os dois prêmios na mão?
Puxa, na verdade, quando a gente faz a escolha de se dedicar a esse caminho da arte, da literatura, não dá pra saber aonde isso vai nos levar, né. Então é muito legal olhar pra esse caminho e ver que foi algo que só me trouxe felicidade. É muito legal mesmo. E fico ainda mais contente de saber que um livro infantil recebeu o prêmio de Livro do Ano.

Foi a primeira vez que isso aconteceu no Açorianos de Literatura.
Então, olha só: isso sinaliza pra gente que a literatura infantil não precisa ser vista com preconceito, como um gênero menor. Ela não fica devendo nada aos outros gêneros, né?

Você já tem dezenas de livros infantis publicados. Pra ti, o que Diáfana tem de diferente dos outros trabalhos?
Olha, o Diáfana tem essa busca de mexer com a poesia, com o sabor das palavras. Eu sempre busquei, na minha escrita, trabalhar com uma linguagem que  não fosse tão cotidiana. Claro, é preciso que ela seja um tanto cotidiana e coloquial pra se comunicar com o leitor, evidentemente. Mas eu sempre tentei buscar essa coisa do ritmo da escrita, das imagens poéticas que você pode suscitar através da linguagem. Então, a minha preocupação é sempre tornar a escrita mais poética. O Diáfana tem isso muito forte nele. É um texto enxuto também,  uma narrativa bastante enxuta e poética. E é uma narrativa que brinca com essa coisa do mistério, do resgate das relações familiares, da reconciliação de uma amizade que tinha sido superimportante pra esse conjunto de personagens, no livro.

Durante o discurso de agradecimento, você falou que Diáfana ainda não estava pronto quando houve a proposta dos editores para a publicação. Como se deu o processo de criação do livro?
Bom, assim: um editor da Scipione me ligou e disse que tinha interesse em publicar um texto meu, chamado O Vestido. Eu disse: "Olha, O Vestido já saiu, por uma editora do Rio de Janeiro. Mas eu tenho um outro texto na mesma linha, enfim, que aborda essa questão das relações familiares de forma poética...". Aí ele disse: "Então, me manda esse!" (risos). E eu não tinha um texto pronto! Foi aí que eu comecei a escrever o livro, passei a trabalhar nesse texto. Mas, mais ou menos, eu tinha uma ideia meio pronta do que eu queria. Sabe, as primeiras anotações. Mas, de fato, eu não tinha nada acabado. Havia essa ideia de brincar com pequenos capítulos, experimentar mesmo com isso, e mexer com essa coisa de uma "coleção de palavras". Essa personagem de Diáfana coleciona palavras. E eu me lembrei de um fato que me impulsionou muito: eu sou professor, e, no início da minha carreira como escritor infantil, eu comecei escrevendo histórias para os meus alunos de uma escola do Rio de Janeiro. E a gente colecionava palavras. Eu fazia um exercício com eles em que a gente tinha uma caixa na qual a gente colecionava palavras. Foi a partir dessa ideia de guardar as palavras mais importantes, mais preciosas, numa caixa toda decorada e tal, que o livro começou a ser construído de verdade.   

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