segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Açorianos: Humberto Gessinger

Conversamos semana passada com Humberto Gessinger, um dos dois apresentadores do Prêmio Açorianos de Literatura 2011. Ao lado de Duca Leindecker, Gessinger irá subir ao palco do Teatro Renascença durante a Noite do Livro, dia 12 de dezembro, às 20h, para anunciar os vencedores da premiação e tocar algumas músicas do repertório do show Pouca Vogal.

Na entrevista a seguir, o vocalista do Engenheiros do Hawaii fala sobre o que está preparando para a noite da apresentação, seus livros favoritos e por que não dá para escapar de Grande Sertão: Veredas

CLL - Você ficou muito surpreso com o convite para apresentar o Prêmio Açorianos de Literatura?
Humberto Gessinger - É, fazer esse tipo de apresentação não é uma coisa muito costumeira pra mim -- até acho que é a primeira vez num evento como esse. Mas sim, desde que o Duca me passou o convite, fiquei muito feliz com a oportunidade e vai ser um prazer participar.

E o que vocês já podem adiantar da apresentação?
Pois é, a gente tá preparando algumas vinhetas baseadas no repertório do Pouca Vogal. E também estamos ensaiando uma música que não consta do repertório e que vai ser uma espécie de homenagem a um escritor, mas, sabe como é, vamos deixar isso como surpresa (risos).

Você já é um autor publicado, com dois livros de crônicas lançados.  Pro futuro, já tem outros livros em mente?
Sim, estou com dois livros no prelo. O primeiro deles sai agora no final de abril , pela Belas Letras, e segue a linha do Mapas do Acaso, outro livro de crônicas meu. Na verdade, vai ser uma reunião do material que eu já publico no meu blog
 
Quais foram os escritores que te inspiraram, quando tu tava começando como músico, escritores que tu lia e que te levaram a criar?
Olha, como músico eu tenho vários caras que me influenciam e que eu considero "favoritos". Agora, como escritor, não tenho nada tão fixo assim. Mas, claro, têm caras que me influenciaram, sim. Os primeiros livros que eu comprei com o meu dinheiro (o que já é uma experiência marcante por si só) foram os do Herman Hesse -- O Lobo da Estepe, acho. Eu só comprei porque sabia que tinha uma banda chamada Steppenwolf e fiquei curioso para saber por que a banda teria tirado o nome de um romance dele. Depois, li vários do Hesse, ele foi um dos primeiros escritores com quem eu me identifiquei. Mais na adolescência, eu li muito os franceses, principalmente Camus e Sartre. Kafka era um cara que eu gostava muito também, desde criança.

E os existencialistas foram até autores que influenciaram o teu trabalho no Engenheiros do Hawaii.
Sim, sim, muito. O título do disco A Revolta dos Dândis foi tirado de um capítulo de O Homem Revoltado, do Camus. Mas, mais rencentemente, um livro com o qual eu fiquei chocado de tão bom foi o Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa, que, pô, todo mundo fala tanto desse livro que eu ficava meio cabreiro, tipo: "não pode ser tão bom". Sabe, quando falam muito bem de uma coisa, tu tende a ficar meio decepcionado depois. E eu demorei pra ler, acho que terminei no ano passado, ou dois anos atrás. E tudo que falaram bem dele, eu assinei embaixo. Virei um chato, por dois meses eu só falava do livro, a pessoa perguntava as horas, eu dava um jeito de encaixar o livro na história. Mas, pô, é um livro inacreditável. E é chato quando perguntam dos livros preferidos e a gente responde com esses chavões, mas é meio inescapável. A Montanha Mágica, do Thomas Mann, é um livro inescapável. Sabe, são livros que têm toda a razão de estar no cânone. 

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