quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pelas Gruas da Feira do Livro

Foto: Lucas Reis Gonçalves
Ontem à noite, a escritora portuguesa Lídia Jorge participou de um bate-papo literário com a patrona Jane Tutikian e o escritores Walter Galvani e Cíntia Moscovich. O evento, que aconteceu na sala dos Jacarandás do Memorial do RS, contou com uma dinâmica semelhante a uma entrevista, na qual os gaúchos faziam o papel de repórteres e Lídia o de entrevistada. Dentre os temas mais abordados do debate, reinaram assuntos como a identidade portuguesa, o processo e visão da escrita e a última obra da autora.


O título de O Vento Assobiando nas Gruas  

Falando sobre o livro também autografado na noite de ontem, Lídia comenta que o título "é uma cruz que carrego. Sempre tenho que explicá-lo. Um dos personagens é condutor de uma grua, espécie de guindaste, muito usado na construção civil e em estaleiros. Um dia de vento forte, ele não desce do equipamento e passa a correr riscos, porém, em determinado momento, o vento para totalmente. É o momento salvador que pode acontecer com qualquer pessoa”.

Walter Galvani arriscou, por um momento, compartilhar a ideia de que o título, ou a estampa do seu produto, se dá quando a obra está completa. Articulando isso com o seu ponto de vista, Lídia se aprofunda um pouco mais no processo criativo: ressalta que o título é a primeira coisa que se se escolhe, mas a última que se adota.


Lídia e a Literatura

A escritora revela que entrou na literatura muito cedo. Durante sua infância, quando ainda morava no interior de Portugal, sua família possuía uma pequena biblioteca - e fora lá que obteve seus primeiros contatos com os livros. Começou por folhear alguns livros herdados de seu bisavô, apenas observando as curiosas figuras, e, logo depois, já lia textos adultos para toda a família.

Da infância, com suas leituras familiares e heranças de um bisavô que "era pobre, mas culto", a sua maturidade literária, Lídia identifica, em si mesma, uma vontade de organizar o mundo - de dar a ele uma certa harmonia. E é por isso que, como ela mesma diz, "os meus livros, nas páginas finais, sempre reclamam mais harmonia para o mundo".


A Língua Portuguesa

Assunto polêmico no debate, a Língua Portuguesa foi fruto de uma discussão sobre valores e gostos em relação a outras línguas. Lídia Jorge, que admite ser monolíngue, vê, na sua língua-mãe, o único instrumento pelo qual ela pode se expressar  por inteira. "A alma foi feita para a língua e a língua foi feita pra alma", relata.

Foto: Lucas Reis Gonçalves
E Lídia continua:

O autor quer ser  lobo, criança, homem e mulher. O escritor quer ser tudo e todas as coisas. E tudo a partir de um instrumento: a língua. Essa é a maneira pela qual vejo a língua: um instrumento. Instrumento que acompanha os riscos e perigos de praticar a literatura. E, ao contrário da religião, sabemos,  na literatura, não há respostas.





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