quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ode Paranoide


Quarto livro de Marco de Menezes, Ode Paranoide (Modelo de Nuvem, 2010) está entre os finalistas do Prêmio Açorianos de Literatura 2011 na categoria Poesia. O mais novo trabalho do autor que foi premiado dentro desta mesma categoria e também vencedor do Livro do Ano no Açorianos de 2010 apresenta divisões para cada conjunto de poemas. O leitor primeiramente encontra o conjunto de dez cantos que dá nome ao livro, onde o escritor dialoga com o passado e reflete sobre o presente, tangencia a desconstrução do indivíduo e presenteia os olhos imersos na Ode com uma infinidade de imagens. As ilustrações de Marina Polidoro complementam o texto, refletindo a mistura do delicado, do confortável e da memória com o obscuro, o caos e o desalento da existência humana. A poesia de Menezes, dividida daí para frente em Salvados e Pessoas Não, utiliza-se fortemente da evocação de situações, quase retratos, onde as dimensões de sujeito, objeto e paisagens interagem, entrelaçados de maneira que apenas a linguagem poética permite. 

Confira abaixo o penúltimo canto da primeira divisão do livro:      
IX. Viagem de ida
naquele tempo tudo que eu era
cabia na mala de couro
com uma das alças arruinada

hoje nada do que eu sou
nela cabe
e arranquei a outra alça
pra que não possa carregá-la

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