terça-feira, 20 de setembro de 2011

Literatura farroupilha

Nesses dias de setembro, um orgulho de ser gaúcho, já tão característico do nosso povo, só aumenta. A vontade de voltar às origens fica tão evidente que muitos são os que montam acampamento em plena capital.

Não há dúvidas que o sentimento farroupilha definiu muito da nossa identidade, dos nossos valores, da nossa cultura. E a literatura foi uma das artes mais influenciadas por esse acontecimento histórico. Muitas obras foram inspiradas ou utilizaram a Revolução como pano de fundo ou trouxeram o “jeito do gaúcho” para as páginas. Selecionamos alguns livros para você fomentar, entender e se divertir com esse “orgulho de ser gaúcho”!


O Corsário – Caldre e Fião (1851)
Caldre e Fião é considerado o patriarca da literatura gaúcha. O Corsário mostra, pela primeira vez na literatura brasileira, um perfil regional com um vocabulário e a descrição de usos e costumes locais. Na história, a ação dos revolucionários farroupilhas serve de pano de fundo para o desenvolvimento da narrativa. Fica evidente nessa obra que Caldre e Fião não simpatizava com os farrapos nem com as causas que motivaram a Revolução Farroupilha.



O Gaúcho – José de Alencar (1870)
O cearense José de Alencar, buscando retratar os diferentes tipos humanos que integravam a identidade nacional, levou o gaúcho da Revolução Farroupilha para suas páginas. A obra narra a história de Manuel Canho, envolvido em vingar a morte do pai, que procura seu padrinho, o coronel Bento Gonçalves, para ajudar na sua vingança. No trajeto, vive aventuras ligadas à Guerra dos Farrapos, mas particularmente a seu padrinho.



O Vaqueano – Apolinário Porto Alegre (1872)
Para alguns críticos, O Vaqueano foi inspirado na obra O Gaúcho, de José de Alencar. Decidido a escrever sobre o seu povo, Apolinário apresenta José de Avençal, um vaqueano que tinha como tarefa conduzir parte das tropas do exército farroupilha até Santa Catarina. Com a presença de heróis como Garibaldi, Canabarro, Bento Manuel, Neto e Bento Gonçalves, o livro tem como foco principal os dramas pessoais de José de Avençal.


Os Farrapos – Oliveira Bello (1877)
Publicado, primeiramente, em forma de folhetim pelo jornal carioca A Reforma, o romance de Oliveira Bello condena a rebelião separatista, porém ressalva a figura do gaúcho do campo. A obra narra o drama amoroso do campeiro Juca Silva com Anita, que o abandona para se incorporar às tropas rebeldes.


Ruínas Vivas – Alcides Maya (1910)
Único romance de Alcides Maya, Ruínas Vivas, compôs com os livros de contos Tapera (1911) e Alma bárbara (1922), a sua trilogia regionalista, que reflete a poesia dos pampas, buscando no passado as raízes do seu povo. Na obra, o autor descreve a vida no pampa por meio de peões, tropeiros, prostitutas, vendeiros e soldados. Quatro anos depois de lançar o livro, tornou-se o primeiro gaúcho a tomar posse na Academia Brasileira de Letras (ABL).


Contos Gauchescos – Simões Lopes Neto (1912)
Composto por 19 contos, o livro narra episódios peculiares à cultura gaúcha, os usos e costumes locais e o anedotário regional. Tem como cenário dos acontecimentos o pampa do Rio Grande do Sul e suas narrativas falam de aventuras de peões, soldados, patrão ou trabalhador. Na obra, há uma exaltação do espírito guerreiro do gaúcho, especialmente nas narrativas da Revolução Farroupilha.

Trilogia do Gaúcho a Pé – Cyro Martins (1937, 1944 e 1954)
O conjunto dos livros Sem Rumo, Porteira Fechada e Estrada Nova formam a Trilogia do Gaúcho a Pé, talvez as obras mais conhecidas do escritor e psicólogo Cyro Martins. Pegando o caminho contrário de Erico Verissimo, Cyro desmistifica o personagem do gaúcho. Aqui, não há heróis. Em vez disso, temos João Guedes, um peão expulso do pampa e que precisa vender tudo que possui (e até mesmo roubar) a fim de sobreviver. Apesar disso, segundo Alcy Cheuiche, "os personagens de Cyro, apesar de despejados do campo, jamais são ressentidos. Eles amam a campanha com todas as forças."

Trilogia O Tempo e o Vento – Erico Verissimo (1949, 1951 e 1962)
Claro, não poderíamos deixar de falar em Erico Verissimo. Com O Continente, O Retrato e O Arquipélago (as três partes de O Tempo e O Vento), Erico ambicionou contar toda a história do Rio Grande do Sul, de 1680 até 1945. Assistimos a tudo através da ótica das famílias Terra e Cambará. A prosa realista de Erico dá conta de quase oito gerações de personagens, tanto fictícios como reais, a exemplo de Getúlio Vargas e Oswaldo Aranha.


A Casa das Sete Mulheres – Letícia Wierzchowski (2002)
O best-seller de Letícia Wierzchowski, lançado em abril de 2002, se passa na época do Império, em terras sul-riograndenses e narra a saga da família de Bento Gonçalves. Quando ocorre a Revolução Farroupilha, os homens partem para o conflito armado. Enquanto isso, as mulheres permanecem numa estância, à espera do que vai acontecer. O livro deu origem a uma minissérie de mesmo nome, produzida pela Rede Globo logo no ano seguinte. 



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