quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Saio da vida para entrar na (vaga) História

"Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História". A conhecida frase que encerra a carta-testamento de Getúlio Vargas é uma das mais famosas da política brasileira. No entanto, 57 anos depois, ninguém sabe determinar precisamente as razões que levaram o então presidente ao suicídio.

Após três anos de uma detalhada pesquisa, o professor e jornalista Juremir Machado da Silva publicou, em 2004, o romance Getúlio. Levantando uma imensa quantidade de dados e informações relevantes, o escritor conseguiu redesenhar o cenário e lançar uma hipótese - nela, poucas certezas.

CLL - O que de mais importante tu desconbriste com a pesquisa?

Juremir - O livro foi lançado há sete anos, pode ser que já tenham feito outros avanços. Mas naquele momento procurei identificar o que aconteceu nos últimos momentos para saber se algo foi dito ou se teve algum acontecimento determinante. Busquei remanescentes, alguns que hoje já nem estão mais vivos, que falam que o mandante do atentado da rua Toledo tenha sido o filho de Getúlio, Lutero, ao lado de Benjamin, o irmão. Eles teriam confessado. 

CLL - Tu acreditas que isso foi o motivo para ele ter tomado a decisão?

Juremir - Sim. Tudo leva a crer que sim. Ele colocou o pijama, conversou com algumas pessoas no seu quarto vestido assim. Nada indica que ele tenha ido deitar com a intenção de se matar. O que parece é que alguém tenha falado alguma coisa durante a noite  e que tenha sido definitivo.

CLL - E por que isso fez com que sua imagem fosse mudada da noite para o dia?

Juremir - Havia muitas acusações em torno do seu governo, assim como hoje há sobre o governo da Dilma. No entanto, naquela época não eram na pessoa do presidente, e a oposição começou a tentar colar nele a responsabilidade, juntamente com a pressão da imprensa. Quando Getúlio se suicida, fica parecendo que foi uma injustiça com ele, que não lhe restou outra alternativa para salvar sua honra. "Um político culpado não cometeria suicídio", diziam. Então o jogo vira e os acusadores passam a ser vistos como mentirosos. 

Getúlio
Juremir Machado
Editora Record
434 páginas
R$ 47,90













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