terça-feira, 16 de agosto de 2011

Personagem maldito

Oswald de Andrade o comparou a Clarice Lispector e Guimarães Rosa. João Antonio e Claudio Willer disseram que seu estilo antecipava um forte teor modernista. Seu romance Desabrigo, de 1945, foi elogiado por vários de seus pares, entre eles Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade. Mesmo assim, Antônio Fraga jamais provou do mesmo reconhecimento dos escritores acima citados, falecendo num distrito esquecido da Baixada Fluminense, em 1993.


Nascido no Rio de Janeiro, em 1906, Fraga foi expulso logo cedo de casa e viveu por muito tempo num foco de prostituição da capital carioca, o Mangue. O lugar o fez conviver com uma população bastante cosmopolita, coisa que também o levou a dominar dez idiomas ao longo de sua vida. Quando adulto, exerceu uma miríade de empregos (serviu no exército durante a Revolução de 32, lecionou no interior de Minas Gerais, garimpou diamantes em Goiás, foi auxiliar de cozinha e redator de rádio). No fim da vida, em razão de uma matéria do Jornal do Brasil, a Legião Brasileira de Assistência lhe ajudou a sobreviver. Em paralelo a tudo isso, foi um filólogo e lexicógrafo autodidata.

Em 2008, Maria Célia Barbosa Reis da Silva lançou a biografia Antônio Fraga - Personagem de Si Mesmo. No início deste ano, a revista Vice publicou o conto O Louva-a-Deus, de 1956, que Fraga tinha planos de transformar num romance.

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