quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Memória sem artifício

Na manhã de hoje, a organização da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo divulgou os dez finalistas ao prêmio Passo Fundo Zaffari Bourbon de Literatura. Entre eles está o escritor gaúcho Michel Laub com o romance Diário da Queda, lançado no início deste ano.

Laub foi editor-chefe da revista Bravo, coordenador de internet do Instituto Moreira Salles e hoje é professor de criação literária e colaborador de diversos veículos. Além de Diário da Queda, tem outros quatro romance publicados: Música Anterior (2001), Longe da água (2004), O segundo tempo (2006) e O gato diz adeus (2009), que foi finalista do Prêmio Açorianos de Literatura 2010.

Em entrevista à CLL, Michel Laub comenta a escolha por narrativas memorialísticas e a grande semelhança dos personagens com ele mesmo, dois elementos sempre relacionados ao autor.

CLL - Quando começaste a escrever?
Michel Laub - Minha primeira publicação foi um livro de contos, Não depois do que aconteceu, publicado pelo IEL. Mas não falo muito dele. Comecei a escrever tarde, depois dos 20 anos.

CLL - Por que a preferência por narrativas memorialísticas?
Michel Laub - Todos os meus livros têm memórias, mas nem todos são memorialísticos. Não sou na vida real uma pessoa muito nostálgica. Na verdade, acho que isso fica canalizado para a literatura e, no dia-a-dia, procuro viver e me preocupar só com o presente. Mas as nostalgias dos meus livros não são idealizadas, normalmente são tristes, melancólicas.

CLL - Por que só em Diário da Queda tu mencionas o judaísmo?
Michel Laub - Nos outros livros não era importante. Me atenho muito ao assunto da obra. Por exemplo, em um outro livro que se passa em Porto Alegre falo muito sobre futebol. Quando era menino ia assistir o Grêmio jogar, mas o esporte não era tão presente na minha vida quanto escrevi. Da mesma forma, nas outras obras a origem judaica não era relevante. Já essa história pedia isso.

CLL - Então os teus livros são um pouco autobiográficos?
Michel Laub - Todo livro tem muito do autor. No fundo, tu acabas escrevendo sobre as experiências que já tiveste. As minhas histórias são parecidas comigo no aspecto externo, mas o coração do livro está além do que vivi. E não tem como reproduzir, tu vais escrevendo e criando. Elas são autobiográficas e ao mesmo tempo não são.

CLL - Por que tu afirmas que este é o teu melhor livro?
Michel Laub - Pela linguagem direta, sem muito artifício. Disse tudo que eu tinha para dizer, não sacrifiquei nada por causa do estilo. Diferente dos outros livros, este eu escrevi e depois adaptei o estilo, e não o contrário.

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