terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ilha Deserta com Antonio Hohlfeldt

Em visita à CLL, o jornalista e escritor Antonio Hohlfeldt foi pego de surpresa ao ser enviado para a Ilha Deserta. Mas parecia estar com a resposta na ponta da língua e não hesitou em responder.

Qual livro você levaria para uma ilha deserta?

Antonio Hohlfeldt - Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. É um grande texto, complexo, denso e eu teria bastante tempo para pensar, refletir, reler.

Hohlfeldt é formado em Letras pela UFRGS e mestre e doutor em Literatura pela PUCRS. Tem diversas obras publicadas entre livros infanto-juvenis e ensaios, como A Aventura Aventurosa de Acanai, Última Hora - Populismo Nacionalista nas Páginas de um Jornal e A Menina das Bolinhas de Sabão. Atuou também no cenário político como vereador e vice-governador e como jornalista no Correio do Povo e Diário do Sul. Atualmente é professor da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS.

Livro

Grande Sertão: Veredas (Nova Fronteira, 624 páginas, R$ 69,90) é um livro de Guimarães Rosa escrito em 1956, um dos mais importantes livros da literatura brasileira e lusófona. Pensado inicialmente como uma das novelas do livro Corpo de Baile, lançado nesse mesmo ano de 1956, cresceu, ganhou autonomia e tornou-se um dos mais importantes romances da literatura de língua portuguesa.

Trecho
“Tive medo. Sabe? Tudo foi isso: tive medo! Enxerguei os confins do rio, do outro lado. Longe, longe, com que prazo se ir até lá? Medo e vergonha. (...) Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar (...) E o canoeiro me contradisse:
‘– Esta é das que afundam inteira. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d’óleo não sobrenadam...’
Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto boas canoas boiantes (...) e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!”


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