quarta-feira, 20 de julho de 2011

Literatura para além da obrigação


Diferente da maioria dos mal pagadores de promessas que percorrem o mundo à procura das satisfações de seus interesses, Zé-do-burro, um homem que caminha sete léguas do interior da Bahia até Salvador, carregando uma cruz nos ombros, possui apenas uma ambição: agradecer a Santa Bárbara pela recuperação do animal que promove o seu sustento - o burro. O pagador da promessa encontra-se perdido quando chega à cidade grande, mas, acompanhado de sua mulher, mantém segura sua vontade de superar qualquer barreira que possa tomar a sua frente.


Sentindo-se um estrangeiro em seu próprio país, Zé-do-burro confronta-se com uma realidade da qual ele nunca fez parte - uma sociedade rica de relações de poder e competições entre interesses. Compondo esse esquema social, há a expressão de uma série de pontos de vistas em relação ao intento do pagador. A igreja enxerga Zé como um agente subversivo, já que utiliza-se de uma religião alternativa para efetuar sua promessa. O jornal, mediado por um repórter, visualiza o acontecimento como uma instigante manchete a ser veiculada. A polícia vê no homem da grande cruz um meio para apresentar a sua força. E, testemunha de toda a ação, o povo, enfim, sente a sua luta representar a luta de todos os demais.

A história de Zé-do-burro é contada a partir da peça escrita pelo dramaturgo Dias Gomes, no ano de 1959. Encenada pela primeira vez em 1960, a representação não parou por aí. Existem duas contribuições de considerável abrangência nacional: uma compilação cinematográfica e outra televisiva.

Em 1962, é estreado o filme homônimo, dirigido por Anselmo Duarte.

De 5 a 15 de abril de 1988, a Rede Globo transmite a
minissérie dirigida por Tizuka Yamasaki.





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