quinta-feira, 14 de julho de 2011

Falar de amor

A partir do dia 26 de julho, o poeta Affonso Romano de Sant'anna virá ao Teatro Renascença para ministrar um curso acerca do Amor na Poesia Brasileira. As aulas fazem parte do 6º Festival de Inverno e as inscrições podem ser feitas na Coordenação do Livro e Literatura (Av. Erico Verissimo, 307). 

Fizemos uma rápida entrevista com Sant'anna a respeito do tema de sua palestra:

CLL - Pode-se dizer que há um excesso de amor na poesia brasileira, um sentimentalismo exacerbado? Quais as razões disso?
Sant'ana - Dizia Norman Brown que Marx estava enganado, não é o trabalho que move a história, é a paixão. Portanto, o amor é tema dominante em todas as literaturas. Esse "sentimentalismo" que está também nas canções bregas e sertanejas deve e pode ser estudado como sintoma, ou seja, como criamos certas metáforas para manifestar o nosso "medo" de amar. A historia do amor é também a historia do medo de amar.

CLL - Quais seriam os poetas brasileiros essenciais para o tema?

Sant'ana - Todos. E como estudei isto durante mais de 30 anos, coletei exemplos incríveis que botei no livro O Canibalismo Amoroso (Rocco). Pego centenas de poetas, mas poderia também me centralizar em Castro Alves, Augusto dos Anjos, Bilac, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes. E o que veremos  nos poetas pode ser aplicado aos romancistas e até às artes plásticas. Orientei dezenas de teses nesse sentido.

CLL - Como a poesia contemporânea trata essa questão? Qual a principal diferença entre ela e obras mais antigas?
Sant'ana - A coisa muda a partir dos anos 60. A minha poesia está dentro de uma nova visão da mulher, denunciando o machismo e o tempo da mulher-objeto. A partir dos anos 60 surge uma literatura sexualmente mais livre e contestadora, até agressivamente pornográfica. Estimulei várias alunas a fazerem teses sobre  isto. Aliás, a TV, a internet, esse mundo aberto que está aí traz coisas curiosas: outras metamorfoses da metáfora amorosa. Você já reparou que a Madonna (olha que nome), " pecadora" e "sádica", foi amante de Jesus Luz?

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