segunda-feira, 20 de junho de 2011

Juremir Machado na Ilha Deserta

Nesta semana, o jornalista Juremir Machado da Silva virou correspondente da CLL na famosa Ilha Deserta. O enviado é doutor em Sociologia pela Universidade de Paris V e atualmente é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, função que desempenha em paralelo ao seu trabalho como colunista do jornal Correio do Povo. Juremir é autor de uma vasta lista de obras, entre elas A noite dos cabarés (Mercado Aberto, 1991), O pensamento do fim do século (L&PM, 1993), A miséria do jornalismo brasileiro (Vozes, 2000), Getúlio (Record, 2004), História regional da infâmia – o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras (L&PM, 2010). A mais recente delas é o romance Vozes da Legalidade - Política e Imaginário na Era do Rádio (Sulina, 2011), que marca os 50 anos do episódio da Legalidade, sobre o qual Juremir palestra no Festival de Inverno, dia 26 de julho.

Qual livro você levaria para uma ilha deserta?


Juremir Machado –
Isso muda muito de acordo com o estado de espírito, mas como tem que escolher um levaria Partículas Elementares, do Michel Houellebecq. É o melhor livro dos últimos 20 anos, e o escritor, o melhor da atualidade. Houellebecq é irônico, sarcástico, não deixa sentir tédio – e uma ilha deserta precisa dessa distração.



Livro

Partículas Elementares (Sulina, 296 páginas, R$ 48,00) é o segundo livro do romancista francês Michel Houellebecq, traduzido pelo próprio Juremir. Através de trajetórias familiares e sentimentais caóticas, o autor conta a história de dois irmãos por parte de mãe que ilustram, de modo exemplar, o suicídio ocidental. Já foi descrito, também, como balanço apocaliptico da revolução sexual e dos costumes da segunda metade do século XX.

Trecho


“Não sirvo para nada”, disse Bruno, com resignação. “Sou incapaz de criar porcos. Não tenho a menor noção de como se produzem salsichas, garfos ou telefones celulares. Sou incapaz de produzir qualquer um dos objetos que me cercam, que utilizo ou devoro. Não sou nem mesmo capaz de compreender os seus processos de produção. Se a indústria parasse, se os engenheiros e técnicos especializados desaparecessem, eu seria incapaz do menor recomeço. Fora do complexo econômico-industrial, não conseguiria nem sequer sobreviver; não saberia como me alimentar, vestir, proteger-me das intempéries; as minhas competências técnicas pessoais são amplamente inferiores às do homem de Neandertal. Totalmente dependente da sociedade que me cerca, sou quase inútil. Tudo que sei fazer é produzir comentários duvidosos sobre objetos culturais ultrapassados. Recebo, porém, um salário, amplamente superior à média. A maioria das pessoas em torno de mim está na mesma situação. No fundo, meu irmão é a única pessoa útil que eu conheço.
- Que fez ele de tão extraordinário?
Bruno refletiu. Virou, no prato, o pedaço de queijo, em busca de uma resposta de impacto.
- Criou novas vacas.

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