quinta-feira, 30 de junho de 2011

Walter Galvani no Festival de Inverno

Aos 77 anos Walter Galvani carrega na bagagem uma vasta experiência como jornalista, especialmente nos jornais Correio do Povo e Folha da Tarde, e muita pesquisa e dedicação que resultaram em obras como Crônica, o Vôo da Palavra e Nau Capitânia. Tantos anos de trabalho lhe garantiram honrarias como o Prêmio ARI de Jornalismo da categoria Crônicas (1968 e 2001), Troféus Amigo do Livro, Amigo do Teatro, Destaque em Cultura e Jornalismo, Troféu Imortal da Cultura em 2007. Galvani também foi patrono da Feira do Livro nas cidades de Canoas (1994) , Guaiba (2000), São Sebastião do Caí (2006) e Porto Alegre (2003).

Nos dias 25, 26, 27, 28 e 29 o escritor estará na Sala Álvaro Moreyra ministrando uma Oficina de Crônica como parte da programação do 6º Festival de Inverno.

CLL - Como escrever uma boa crônica?

Walter Galvani - A crônica, como todo gênero, tem suas características próprias. O principal é que ela seja oportuna, o assunto seja relevante e, fundamentalmente, que tenha qualidade literária. Freqüentar oficinas de crônicas é uma boa maneira de desenvolver essas qualidades.

CLL - Quando tu trabalhavas na Folha da Tarde havia muitos cronistas, pessoas de opinião. Tu achas que isso está em falta hoje?

Galvani - Sim. Além de oportunismo, relevância e qualidade literária, o cronista tem que ter opinião – só assim perdura nessa atividade. A opinião é importante para qualificar o texto. Não adianta dizer “um pôr-do-sol bonito”, mas sim “um pôr-do-sol bonito porque não tem poluição”.

CLL - Tu és um auto-didata. Quase tudo que aprendeu foi estudando por conta própria ou trabalhando. É possível optar por isso hoje?

Galvani - O talento pode ser inato, mas sem dúvida o curso ajuda muito. Só não fiz porque na minha época não existia curso de jornalismo. É como aprender a dirigir, tu precisas enfrentar as dificuldades do trânsito sozinho ou com a ajuda de uma auto-escola, que é mais rápido, prático e seguro. Abrevia o caminho.

CLL - Qual foi o teu maior desafio como secretário de redação da Folha da Tarde na época da ditadura?

Galvani - O maior desafio era vencer a ditadura, que nem sempre vinha do governo. A própria empresa, muitas vezes, exigia determinadas orientações e era sempre um risco, porque as regras nunca era explícitas. Certa vez fiz uma capa sobre o Movimento Sem Terra e assim que saiu o jornal chefe me chamou e perguntou “Onde quer levar o meu jornal?”, respondi que era o assunto importante e que estava em evidência. Ele disse que eu não deveria ter feito isso e precisava tê-lo consultado antes da publicação. Passei alguns apertos.

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