terça-feira, 3 de maio de 2011

Páginas de sertão

Hoje se comemora o Dia do Sertanejo. Não se sabe ao certo porque o dia 3 de maio foi escolhido para celebrar a vida dessas bravas famílias que vivem na seca do sertão, porém, esses sujeitos fortes e corajosos já foram homenageados por grandes escritores brasileiros.
A chamada literatura regionalista (que põe o seu foco em determinada região do Brasil) começou no século 19 e teve seu ápice no século seguinte. Retratou a vida de paulistas e gaúchos, mas foi contando a vida no sertão brasileiro, que essa literatura ganhou notoriedade no mundo.

Algumas obras importantes do sertanejo brasileiro:

O Sertanejo, de José de Alencar - 1875
(Escala, 260 ps; R$7,90)

 
O último romance publicado de José Alencar, O Sertanejo tem como cenário o interior nordestino do século XVIII, e apresenta personagens característicos do sertão. Através do personagem-narrador Severino, que por não ter sua fala compreendida torna-se uma figura genérica na história, a obra conta os dias e os trabalhos de Arnaldo Loureiro, destemido vaqueiro cearense que vive no campo, que se arrisca na esperança de ganhar a simpatia da filha do fazendeiro, Flor.


Os Sertões, de Euclides da Cunha – 1902
(Nova Aguilar, 546 ps; R$80,00)


Dividido em A Terra, O Homem e A Luta, Os Sertões descreve as batalhas entre os homens liderados por Antonio Conselheiro e o exército brasileiro. Com seu estilo jornalístico-épico, traça um retrato dos elementos que compõem a guerra de Canudos. Com uma linguagem precisa e apurada, é um texto construído sobre tudo em adjetivações e antíteses, que ajudam na composição dos cenários perfeitos daquilo que é descrito.


A Bagaceira, de José Américo de Almeida - 1928
(Jose Olympio, 294 ps; R$34,00)

Considerada a obra introdutora do romance regionalista brasileiro, A Bagaceira trata de questões como o êxodo, os horrores gerados pela seca e a visão brutal e autoritária do senhor de engenho. O enredo gira em torno de um triângulo amoroso entre Soledade, Lúcio e Dagoberto e destaque-se por seu aspecto sociológico e a poetização de cenas e sentimentos, que colocam o romance como uma obra importante da literatura brasileira em todos os tempos.


O Quinze, de Rachel de Queiroz – 1930
(Jose Olympio, 160 ps; R$24,00)


O primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz, O Quinze renovou a ficção regionalista. O título refere-se à seca do Ceará de 1915, quando a família de Rachel foi obrigada a fugir para o Rio de Janeiro. A obra apresenta a seca do nordeste e a fome como conseqüência, e acontece em dois planos: um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família e o outro a relação afetiva de Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora.


Menino de engenho, de José Lins do Rego – 1932
(Jose Olympio, 192 ps; R$25,00)


Menino de Engenho é a primeira obra de José Lins do Rego, e mistura a história de seu avô com cenas de sua infância. A história é narrada por Carlinhos, um órfão de pai e mãe, que, aos oito anos de idade, vai viver com o avô, o maior proprietário de terras da região - coronel José Paulino. A obra aponta tensões sociais envolvidas em um ambiente de tristeza e decadência, e é o primeiro livro do ciclo da cana-de-açúcar.


Cacau, de Jorge Amado – 1933
(Record, 131 ps; R$26
,90)

Segundo romance publicado de Jorge Amado, o romance inicia o Ciclo do Cacau e conta a história dos trabalhadores em fazendas de cacau do sul da Bahia, a expansão das idéias socialistas e a luta de classes no hostil mundo dos trabalhadores do cacau. Nessa obra, o autor revela sua admiração pelo igualitarismo do comunismo e por sua manifestação na arte. Denota um engajamento que mostra uma grande emoção, uma aspiração profunda pela justiça social e um desejo genuíno de lutar pelos oprimidos, constituindo um eficiente retrato do artista quando jovem.


Vidas Secas, de Graciliano Ramos - 1938
(Record, 176 ps; R$32,90)

Narrado em terceira pessoa, Vidas Secas conta a história de uma família de retirantes do sertão que enfrenta a seca, a pobreza e a fome. O tênue fio narrativo faz o leitor conhecer a história desses nordestinos que, ao fugir do sertão, encontram um período passageiro de estabilidade e, quando as chuvas deixam de cair prenunciando um novo período de seca, partem novamente em retirada.


Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa - 1956
(Nova Fronteira, 624 ps; R$64,90)

Nessa obra, que é tida como uma das mais importantes da literatura brasileira, o sertão é visto e vivido de uma maneira subjetiva e profunda, e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou como uma série de costumes que parecem pitorescos. Sua visão resulta de um processo de integração total entre o autor e a temática, e dessa integração a linguagem é o reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza o idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo em sua extensa e perturbadora narrativa.


Turma do Chico Bento, de Maurício de Sousa – 1961

As histórias do Chico Bento se passam na fictícia Vila Abobrinha, uma típica cidade caipira, do interior paulista. Chico Bento foi inspirado no tio-avô de Maurício de Souza e, ironicamente, foi o terceiro personagem da turma a ser criado. Em agosto de 1982, foi lançada a primeira revista, onde a Turma da Roça, entre eles a Rosinha, namorada do Chico Bento, o Zé Lelé, Hiro, o Zé da Roça, a professora Dona Marocas, o padre Lino e vários outros personagens vivem divertidas histórias num ambiente gostoso e pacato do interior. Chico Bento é, sem dúvidas, o caipira mais conhecido pelas crianças.

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