quarta-feira, 18 de maio de 2011

Com as cores da diversidade

Responsável por grandes polêmicas ainda na atualidade, a temática homossexual teve forte presença na história da literatura brasileira e mundial.

Na grécia antiga, berço da literatura ocidental, as práticas homossexuais eram vistas com relativa naturalidade no meio social. Sobre essa temática encontramos registros na obra de Safo, poetisa da ilha de Lesbos, de onde origina-se o termo para a homossexualidade feminina. Da mesma maneira, na antiguidade romana, a poesia de Catulo apresentava personagens homossexuais, assim como na obra Satyricon, de Petrônio.

Com o advento do cristianismo e o início da Idade Média, a repressão às culturas pagãs da antiguidade acabaram por censurar e suprimir muitas das obras clássicas, entre elas aquelas cuja temática aludia à homossexualidade. Contudo, o personagem homossexual, como entendido hoje, somente vem a se configurar no século XIX, juntamente com a própria invenção do homossexualismo, relacionado a um tipo de doença mental.

No Brasil, a temática ganha espaço na literatura naturalista do século XIX que, influenciada pelo cientificismo da época, reforçava a ideia de que os homossexuais eram indivíduos doentes. Além disso, a padronização do núcleo familiar burguês como base para o progresso social, de acordo também como o espírito positivista, excluía tudo que não se adequasse aos seus paradigmas, considerados como males a serem curados e eliminados. Dessa forma, a literatura naturalista, buscando expôr os males sociais com a intenção de corrigí-los, colocava no centro de suas narrativas os homossexuais, as prostitutas, os libertinos, enfim, todos aqueles que, de uma certa maneira, apresentavam um risco para a unidade familiar.

Assim, em obras como O Bom Crioulo, de Adolfo Caminha e O Cortiço, de Aluísio Azevedo, temos a figura dos homossexuais apresentados de maneira extremamente negativa, que acabavam perdendo ou degradando não apenas a própria vida, como a de todos que com eles se relacionavam. Já na literatura mundial, Oscar Wilde, ganhou notoriedade pelo fato de ter sido preso sob acusação de envolvimento com o lorde Alfred Douglas, para quem escreveu uma longa carta na prisão de Heading, publicada em 1897 sob o título de De Profundis.

No século XX, a revolução das vanguardas artísticas europeia e brasileira abriram espaço para a liberdade de expressão, possibilitando aos autores uma manifestação mais aberta, não apenas de suas opiniões como também de suas próprias vidas. Além disso, nos anos 60 e 70, com a revolução sexual e dos costumes, a temática homossexual ganha espaço e representação na obra de autores como Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca, João Gilberto Noll e Caio Fernando Abreu.


Para mais informações sobre o tema, indicamos a obra Devassos no Paraíso (Record, 588 páginas, esgotado), excelente ensaio jornalístico de João Silvério Trevisan, que recompõe a história do homossexualismo no Brasil desde a colônia até a triunfante parada gay de São Paulo.

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