terça-feira, 5 de abril de 2011

Flávio Alcaraz Gomes (1927 - 2011)

A comunidade jornalística se despede hoje do jornalista, radialista e escritor gaúcho Flávio Alcaraz Gomes, 83 anos, que faleceu esta manhã, às 9h30min. Flávio estava em casa acompanhado da mulher e dos filhos, recuperando-se do tratamento de uma pneumonia que o manteve internado durante um mês no hospital Moinhos de Vento.

Formado em Direito pela UFRGS e em Jornalismo pela PUCRS, iniciou sua carreira como repórter do jornal Folha da Tarde. Foi diretor das rádios Guaíba e Gaúcha e correspondente internacional da empresa jornalística Caldas Jr. Atualmente atuava na TV Pampa.

Como repórter, cobriu importantes eventos históricos como: a Guerra dos Seis Dias, em Israel; a rebelião estudantil de 1968, em Paris; o lançamento da nave espacial em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos; entre outros. As viagens, coberturas e experiências pessoais deram origem a sua obra literária. A Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães tem em seu acervo os seguintes títulos:

Morrer por Israel (Editora Globo, 1967): Primeiro livro de Flávio, é um relato jornalístico motivado pelos dramáticos momentos que viveu nas frentes egípcia e israelense, escrito por sugestão de Erico Veríssimo. Inicialmente com o objetivo de cobrir a Guerra do Vietnã, percebe, no caminho, o prenúncio de outra guerra. Resolve ir ao Egito e a Israel e, inesperadamente, torna-se um dos poucos jornalistas brasileiros presentes na Guerra dos Seis Dias.

A Rebelião dos Jovens (Editora Globo, 1968): Em Paris para reportar a Conferência de Paz entre os norte-vietnamitas e os norte-americanos, tem seu centro das atenções desviado. Na capital francesa explode a mais representativa rebelião de jovens, que quase levou o país a uma guerra civil. A perspicácia de Flávio ao relatar os dramáticos acontecimentos de maio de 68 é enriquecida por diversas ilustrações e, ainda, por um importante documento da já histórica revolução operário-estudantil: diálogo entre Jean-Paul Sartre e Daniel Cohn-Bendit, de 02 de maio de 1968.

Transamazônica – A Redescoberta do Brasil (Livraria Cultura Editora, 1972): Documentário fiel e honesto sobre a realidade deste território que, graças à estrada arrojada e gigante, passou, naquele tempo, a ser incorporada à pátria brasileira. A obra contém uma série de observações, às quais confere todo o talento profissional do autor.

Um repórter na China (Editora Garatuja, 1976): Relato da experiência do autor na país em questão. Nas suas palavras: “... Eu a vejo (China) apenas como uma república totalitária, dentro da qual todo individualismo foi ou procura ser abolido, onde o coletivo é muito mais importante do que o privado e o homem, completamente despersonalizado, é um tijolo”.

Prisioneiro 39310 – Profissão: Repórter (Editora L&PM, 1982): Diário em que Flávio relata seus dias desde a noite em que cometeu o homicídio até completar um ano de reclusão. “... Ouvi então a voz fria do intruso dizer o meu nome e dar início a minha tragédia: - Flávio, acabaste de matar uma moça!...).

Diários de um Repórter – Antes e depois de 2001 (Editora L&PM, 2004): Livro que mostra um pouco do trabalho e da carreira deste homem que entregou-se a vida inteira à caça e à difusão de notícias. Conta suas principais coberturas e experiências e um pouco das pessoas que pela sua vida passaram.

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