terça-feira, 1 de março de 2011

A travessia de Marcel Citro

Semana passada, Marcel Citro concedeu uma entrevista bem bacana para o Correio do Povo falando sobre o seu livro que será lançado em nesse ano. Em entrevista ao blog do Poemas no Ônibus, o vencedor do Prêmio Açorianos de Criação Literária 2010, falou sobre a recente premiação, as influências literárias, o processo criativo, entre outras coisas. Aqui, vamos reproduzir alguns trechos da entrevista.

O escritor moderno:
Foi-se a época em que o escritor era identificado com um intelectual prolixo que encerrava-se em um cômodo para produzir uma história destinada a meses e meses de maturação em gavetas hermeticamente fechadas. Com os blogs, há um escritor em potencial por detrás de cada computador. Através do barateamento do processo de impressão, aumentou em muito o número de títulos disponíveis. E com o advento do e-book, haverá uma oferta ainda maior de literatura em diversos suportes físicos.


Oficinas literárias:

Oficina literária não forma escritores, o talento não é “criado” em um processo de geração espontânea ao final de “n” encontros com o orientador. A oficina, isso sim, possui o dom de lapidar predisposições para o ofício literário, sumarizando as técnicas consagradas pelos grandes autores, sugerindo leituras instigantes e convidando os participantes a romper com a sua auto-censura ( a pior censura é a auto-censura!) e apresentar ao mundo o resultado de sua pulsão narrativa.

Participação no evento Mais que Prosa:
O escritor deve tornar-se o maior divulgador de sua obra. Ele precisa estar presente tanto nos ambientes virtuais quanto em eventos reais (Woody Allen já dizia, “90% da vida é um questão de comparecer”), e neste sentido a oportunidade de participar do “Mais que prosa” foi prazerosa e enriquecedora. Senti-me acolhido e prestigiado - há uma cumplicidade que às vezes beira à simbiose entre a comunidade que aprecia a literatura. A conversa fluiu porque eu estava à vontade, e eu estava à vontade porque me encontrava entre amigos.

Travessia – quinze contos peregrinos
A obra representa o que de melhor posso oferecer ao público leitor, em termos de narrativa curta, no momento atual. Neste ponto, é bastante coerente com a minha proposta – friso, atual – de escritor de ficção. Espero que eu possa continuar me aprimorando, para que venha a ofertar aos que me lêem textos cada vez mais qualificados. Para o momento em que foram escritos, todavia, os quinze contos do livro adotam a linguagem mais verossímil que eu poderia valer-me, e o estilo mais fiel à idéia ínsita a cada conto.
Quanto ao tema, a História de Porto Alegre é retratada em três partes. Antes da urbe (parte um) reúne narrativas anteriores ao grande cerco que Porto Alegre enfrentou, no período 1836-1837, como a história que dá titulo à obra, Travessia, ambientada em meio ao tráfico de escravos indígenas do Delta do Jacuí para a lavoura do sudeste, e a história do próprio cerco em si. Na urbe (parte dois) traz nove narrativas contemporâneas ao nosso tempo, como em Rua Padre Chagas, que retrata o encontro de um pai e sua filha de seis anos com uma enorme e explícita propaganda de preservativo na rua em. Por fim, Além da Urbe (parte três) propõe situações um pouco mais transcendentais, como uma descoberta inusitada na Porto Alegre do futuro, tema que conclui o livro e também a travessia a que é conduzido o leitor ao longo dos quinze contos da coletânea. Penso – espero! – que o leitor conclua esta travessia impactado pelas imagens que lhe foram sugeridas em meio a sua trajetória, como co-criador do texto. E que este impacto seja, acima de tudo, agradável. Não acredito em literatura que negue ao seu destinatário o prazer estético, o prazer do conhecimento ou o prazer do inusitado.

Leia a entrevista na íntegra no blog do Poemas!

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