terça-feira, 16 de agosto de 2016

15ª Feira de Troca de Livros de Porto Alegre

A 15ª edição da Feira de Troca de Livros de Porto Alegre, promovida pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Secretaria Municipal da Cultura, por meio da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, será realizada no dia 25 de setembro de 2015 (domingo), das 10h às 17h, no Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues – Av. Érico Veríssimo 307, bairro Menino Deus. 

Inscrições para Bibliotecas: de 16 de agosto a 16 de setembro de 2016, ou até o preenchimento das 20 vagas disponíveis, pelo e-mail bibliot@smc.prefpoa.com.br.


CLIQUE AQUI PARA ACESSAR 

REGULAMENTO E  FICHA DE INSCRIÇÃO









quinta-feira, 28 de julho de 2016

Inscrições abertas para os prêmios Açorianos de Literatura Adulta e Infantil e Açorianos de Criação Literária 2016

Informamos que estão abertas as inscrições para o Prêmio Açorianos de Literatura Adulta e Infantil 2016. Escritores, artistas gráficos e editores podem concorrer com obras em primeira edição desde janeiro de 2015, assinadas por autores nascidos ou residentes em Porto Alegre, ou publicadas por editoras sediadas na capital gaúcha, desde que não tenham concorrido em edições anteriores do concurso.

Também estão abertas as inscrições para o Prêmio Açorianos de Criação Literária 2016 - Narrativa Longa. Outra importante ação cultural, o concurso é voltado para textos inéditos e premia o autor com a publicação da obra pela Editora da Cidade/SMC, além do troféu e de R$ 10 mil.

As inscrições podem ser feitas até 29 de julho pelos correios ou presencialmente, de segundas a sextas-feiras (exceto feriados), das 9h às 12h e das 14h às 18h, no Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues, na Coordenação do Livro e Literatura.

Seguem abaixo os links com os editais dos concursos com todas as informações necessárias:








terça-feira, 26 de julho de 2016

Julho ainda não acabou...

... e há vários eventos que a Coordenação do Livro e Literatura e a Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães promovem nesses últimos dias. Dá uma olhada na programação:

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Os muitos nomes de um escritor

Conhece a obra de Charles Lutwidge Dodgson? Não? Mas nunca leu Alice no país das maravilhas?


(Ué, mas não era do Lewis Carroll?)

Pois é. Lewis Carroll era o pseudônimo do escritor. Assim como o escritor brasileiro Fernando Jorge, que assinou seu livro Hitler - o retrato de uma tirania como Herman Zumerman devido às exigências de seu editor, e como Machado de Assis, que publicava alguns textos sob o nome de Boas-Noites, ou Dr. Semana, ou Lélio, ou Malvólio, ou Platão, Sousa Barradas, etc. As razões variam, claro (Fernando Jorge utilizou o nome alemão porque literatura estrangeira vendia melhor no Brasil e Machado queria expor opiniões políticas ousadas sem vinculá-las ao seu nome).

Mas os pseudônimos não são só características de autores que precisam ocultar suas identidades: em diversos casos, o nome é escolhido simplesmente porque o escritor o prefere. Poucos conhecem o poeta Ferreira Gullar pelo nome José Ribamar Ferreira. 

O poeta português Fernando Pessoa, porém, utiliza heterônimos. Ou seja: seus textos escritos com nomes diferentes referiam-se, no caso, a autores inventados, dotados de uma personalidade e de ideias distintas das de Pessoa, que existiam no interior da psique do escritor. Pessoa era (e não era) um pouco de Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, entre outros...  

Procure pelo nome certo: veja alguns livros que temos disponíveis na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães de autores que utilizam pseudônimos (ou heterônimos):

Antologia poética, de Ferreira Gullar.
código da BPMJG: B869.1 F383









Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll
código da BPMJG: IJ Ficção C319al








Antologia poética, de Fernando Pessoa (com comentários de Jane Tutikian)
código da BPMJG: 869.1 P475fe



1984, de George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair)
código da BPMJG: 823 079m

  

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Bate-papo em comemoração ao Dia do Escritor e Dia Internacional da Mulher Negra Latinoamericana

Em celebração ao Dia Nacional do Escritor e Dia Internacional da Mulher Negra Latinoamericana, a Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães irá receber Luiz Maurício Azevedo e Priscila Pasko para ministrar o bate-papo Uma outra perspectiva: a escrita e o mercado editorial para autores negros e para mulheres, com mediação de Vitor Diel.

Carolina Maria de Jesus

O bate-papo será realizado no dia 25 de julho às 19h00.



Luiz Maurício Azevedo possui graduação em Letras pela PUCRS (2005); e mestrado em Comunicação Social (2009) pela mesma universidade. É, também, doutorando em Teoria e História Literária, pela UNICAMP. Em 2015, ocupou uma posição de visiting researcher na Rutgers University, onde realizou pesquisa sob supervisão de Barbara Foley. É autor de doze livros individuais, dentre eles: Em todo Caso (Plus) e Le Musée (Flaneur).

Priscila Pasko é jornalista, trabalhou na editoria de Cultura do Jornal do Comércio durante quatro anos. Colaboradora do site Nonada -Jornalismo Travessia, é também idealizadora, editora e repórter do Veredas, espaço que discute e divulga a literatura produzida por mulheres. O blog anunciou recentemente a criação do Prêmio Veredas para Literatura de Autoria Feminina - Edição Carmen da Silva, voltado exclusivamente para as mulheres. Priscila publicou um conto na coletânea "As coisas dos outros" (Coisas Edições/2015) e hoje escreve no Tumblr "Parece a vida mas é real".

Vitor Diel é jornalista, nascido em Porto Alegre. Assessor de imprensa dedicado ao mercado editorial, autor da coletânea de crônicas “Granada” (Armazém de Livros, 2008) e coeditor de “Pé de Sapato: histórias de muitas histórias” (Armazém de Livros, 2007). Participa das coletâneas “101 Que Contam” (Nova Prova, 2004), “Festschrift para Assis Brasil” (Bestiário 2015) e “Eu Palavro” (Sintrajufe RS, 2015), e já teve artigos publicados em jornais e revistas como Zero Hora e Revista Simples. Cursa Especialização em Literatura Brasileira na UFRGS e edita a fanpage Literatura RS (facebook.com/literaturars).

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Trova na biblioteca

Segunda-feira, dia 18, é dia de Trova na biblioteca. Não é a trova dos gaúchos: aquela improvisada em cima de uma gaita que repete melodias gaudérias; também não é a nordestina, a do repente; não é a cubana, nem a francesa, muito menos a da paquera, a de trovar, aquela. A trova aqui é outra coisa: é poema.

Não é esse tipo de trova não. 

E quem vai nos conduzir pelos versos de redondilha maior e de apenas uma estrofe é o poeta Sidnei Schneider. Para definir o que significa esse gênero, ele recorre ao poetaço Fernando Pessoa, que diz que “a trova é o vaso de flores que o povo põe à janela da sua alma”. Composta por quatro versos heptassílabos (de sete sílabas poéticas), rimando ao menos o segundo com o quarto, a trova também é chamada de "quadra" ou "quadrinha", mas essas duas nem sempre traduzem o mesmo significado. Para dar um pequeno gosto do gosto que a trova tem, o Sidnei separou pra gente uma pequena amostra do que vai rolar na próxima segunda:

Meu caro poeta: o Universo
espera atendas meu rogo:
- Ou pões mais fogo no verso,
ou pões o verso no fogo.

                  Eno Teodoro Wanke

Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer que o são,
são aquilo que eu pareço.

                           António Aleixo
      (poeta vendedor de loterias)


Trova na Biblioteca 
                    com Sidnei Schneider
Segunda 18/07, às 19h
   Av. Érico Verissimo, 307
   (com direito a certificado)




quinta-feira, 14 de julho de 2016

Consulta de livros nas Bibliotecas Públicas Municipais de Porto Alegre

Nesse friozinho malandro, o conforto de casa e a vontade de sair para a rua peleiam quase eternamente, não fosse o limite que as obrigações do dia-a-dia nos impõe. Mas para aliviar esse clima (de frio e de compromissos que nos arrastam para fora do ninho), a gente tem uma boa notícia para os leitores de plantão: todo o acervo das bibliotecas públicas municipais de Porto Alegre pode ser consultado através do portal Pergamum, desenvolvido pela Procempa.



A busca pode ser feita através de diferentes categorias (Título, Assunto, Autor, Livre) em todas as bibliotecas da cidade ou em alguma específica. Se você procura algum gênero em particular (Revistas, Jornais, Folhetos), também pode selecionar o tipo de obra que deseja encontrar. Apesar de ter todas essas e outras funções de consulta, ainda não temos a estrutura de renovação dos empréstimos de livros, sistema que passa por sua fase de implementação. 

De qualquer forma, agora não se precisa sair de casa para procurar alguma obra com o risco de não encontrar e ter perdido a viagem. Por isso, não perde a viagem e consulta teu livro nas bibliotecas do município.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

5 livros rock n' roll

No Dia Mundial do Rock, resolvemos listar algumas obras que, cada qual à sua forma, representam literariamente o que o rock n' roll é para a música. Trata-se de uma modesta seleção, que privilegia livros conhecidos e deixa de fora uma vasta produção contemporânea que subverte padrões (como o bom rock), mas é o risco que se corre em qualquer recorte - e este é um microrrecorte:

On the road - Jack Kerouac
*Disponível nas bibliotecas públicas do município

Lançado em 1957, o mais célebre ícone da literatura beat ditou os rumos tortos de muitas vidas adolescentes dentro e fora dos Estados Unidos. A narrativa alucinante de Kerouac - que, drogado, escreveu o original em um rolo de papel higiênico - prefigura a incontinência formal do rock n' roll. As viagens e caronas de Sal Paradise pelo território estadunidense envolvem filosofia barata, deslumbramento com a efervescência do jazz, indiferença diante do futuro e do dinheiro, desprezo pela política e pela sociedade organizada, enfim, rock o suficiente para influenciar gerações inteiras de músicos.



O Senhor dos Anéis - J. R. R. Tolkien
*Disponível nas bibliotecas públicas do município

Se os cânones tratam de deixar a trilogia de Tolkien nos inglórios patamares da subliteratura (ou da literatura infanto-juvenil), há um grupo de admiradores apaixonados que eternizou o legado do inglês: jogos de RPG, heavy metal, cabelos cumpridos, exaltação de heroísmo épico, medievalismo, batalhas e dragões e espadas e relâmpagos e monstros... De onde você acha que saiu tudo isso?


Misto-quente - Charles Bukowski
*Disponível na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães

Se Kerouac foi a voz dos hipsters dos anos 60 e 70, Bukowski foi, antes e depois disso, o silêncio ébrio das gerações desencaminhadas. O comportamento despretensioso e errante de Henry Chinaski, alter-ego do escritor, sintetiza o espírito que fez surgir o rock. Vagabundo, bêbado, atormentado, desajustado na sociedade e na família - o ódio pelo pai remete a Dimitri Karamazov, personagem de Dostoievski -, Chinaski é uma ilha de desprezo, solitário em uma amargura alimentada pela rejeição (espinhas monstruosas lhe faziam alvo de chacotas e lhe afastavam das garotas) e por um olhar impiedoso sobre o caráter alheio. Adotando a simplicidade como forma (o que não significa, em absoluto, pobreza literária) e a degradação como substância, Bukowski não passou despercebido pelos grandes do rock: bandas como Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers e Anthrax estão entre as que já lhe prestaram tributos.


O Corvo - Edgar Allan Poe

Ok, Tolkien é responsável pelos dragões e espadas, mas Poe (e diversos poetas românticos), muito antes dele, apresentou aos leitores o breu. Neste poema bastante musical - não haveria o menor esforço para encaixar a rima e a métrica de O Corvo em uma melodia -, o autor encontra um de seus momentos mais soturnos ao escancarar a inevitabilidade da morte. Essa atmosfera sombria seria replicada mais de um século depois, na década de 1980, tanto pelo shoegaze (My Bloody Valentine, The Jesus and Mary Chain, etc.) quanto pelo post-punk (The Cure, Echo & The Bunnymen, Joy Division, etc.). Os desdobramentos musicais e estéticos fazem da obra de Poe (não apenas O Corvo, evidentemente) uma influência literária definitiva sobre o rock.


Mate-me por favor - Larry "Legs" McNeil e Gilliam McCain

Eis a ultrassonografia de um feto rebelde: o punk. McNeil e McCain mergulham nesse período de gestação e coletam relatos orais que descrevem, passo a passo, os ingredientes adicionados a uma bomba prestes a explodir. É mais uma compilação do que houve de melhor no (pré-)movimento do que uma obra com qualquer valor literário. A importância é de caráter histórico, e nenhum chute intra-uterino foi negligenciado: Velvet Underground, The Stooges, Television, Andy Warhol, Patti Smith, MC5... até o nascimento de um bebê feio que "don't wanna grow up": Ramones e Sex Pistols.

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Que livros você acrescentaria aqui? Que autores brasileiros também enchem suas páginas do mais genuíno espírito do rock n' roll?

Página do Poemas no Ônibus e no Trem

A página do Poema no Ônibus e no Trem no Facebook foi criada inicialmente por ex-participantes do concurso como Fan Page. Ali eles compartilhavam seus poemas e divulgavam algumas informações acerca do concurso. Recentemente, a administração do conteúdo foi transferida à Coordenação do Livro e Literautra, e agora a página se tornou um dos principais canais de divulgação e informação a respeito do evento.


Aí postamos a versão digital dos adesivos em circulação nos ônibus das edições já publicadas do concurso e informamos nossos seguidores das notícias e eventos do âmbito da poesia na CLL.

E aí, já curtiu lá? Entre aqui no LINK e comece a seguir o Poemas no Ônibus e no Trem no Facebook também.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Pablo Neruda, Ainda

Essa e outras obras do poeta podem ser
retiradas na Biblioteca Pública Municipal
Josué Guimarães
Aún é o título original da obra publicada um pouco antes da sua morte. Mas não é de morte que vamos ficar falando. É justamente hoje, dia 12 de julho, que se celebra o nascimento do poeta chileno (e universal) Pablo Neruda. Para não deixar passar em branco, resolvemos trazer aqui algumas linhas para pintar de verso um pouco dos posts do nosso blog. 

Subimos à Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães e buscamos este título que não é tão ecoado nas grandes livrarias e editoras, já pós-graduadas nas republicações do poeta. Ele conta com vinte e oito poemas que usam a palavra do título "como uma nota constante, como um refrão, ao longo do livro". Declara, à sua forma, amor às lembranças dos lugares da sua infância e juventude, descrevendo as figuras geográficas do Chile, viajando com o pai, maquinista de trem.

Com suas imagens poéticas originando-se no convívio familiar e transportando-se com ele através da geografia do próprio país, produziu aqui uma literatura da natureza, ao mesmo tempo inóspita e exuberante - atraente e violenta.

A CLL extraiu alguns fragmentos deste livro em homenagem ao 112º aniversário de nascimento dessa importante figura para o cenário da Literatura em todos os seus sentidos, ainda mais poético e geográfico.


III

Inverna, Araucânia, Lonquimaya!
Leviatana, Aquipélaga, Oceana!
Penso que o espanhol de sapatos roxos
montado na invasão como na náusea,
em seu cavalo como em uma onda,
o descobridor, desceu de sua Guatemala,
dos pastéis de milho cheirando a tumba,
daquele calor de parto que inunda as Antilhas,
para chegar aqui, de descalabro em derrota,
para perder a espada, o muro, a Santíssima,
e logo perder os pés e as pernas
e a alma.
Agora nestes 65 que faço
olhando para trás,
para cima,
para baixo
me pus a descobrir descobridores.
Passa Colombo com o primeiro colibri
(pássaro de pulseira), breve relâmpago,
passa Dom Pedro de Valdívia sem chapéu
e logo, de regresso, sem cabeça,
passa Pizarro entre outros homens tristes.
E também Dom Alonso, o claro Ercilla.


VI

Perdão se quando quero
contar minha vida
é terra o que conto.
Esta é a terra.
Cresce em teu sangue
e cresces.
Se se apaga em teu sangue
te apagas.


XV

Nós, os perecíveis, tocamos metais,
vento, margens do oceano, pedras,
sabendo que continuarão, imóveis ou ardentes,
e eu fui descobrindo, nomeando todas as coisas:
foi meu destino amar e despedir-me.


XVII

Abaladora foi a noite de setembro.
Eu trazia na roupa
a tristeza do trem que me trazia
cruzando uma por uma as províncias:
eu era esse ser remoto
turbado pela fumaça do carvão
da locomotiva.
Eu não era.
Tive de encarar então a vida.
Minha poesia me incomunicava
e me agregava a todos.
Naquela noite
me coube declarar a Primavera.
A mim, pobre sombrio,
me fizeram desatar a vestimenta
da noite desnuda.
Tremi lendo ante duas mil orelhas desiguais
meu canto.
A noite ardeu
com todo o fogo escuro
multiplicando-se na cidade,
na urgência imperiosa do contato.
Morreu a solidão aquela vez
ou nasci eu de minha solidão?


XXI

Vivi na desordem de pátrias não nascidas,
em colônias que ainda não sabiam nascer,
com bandeiras inéditas que se ensanguentariam.
Vivi na fogueira de povos malferidos
comendo o pão estranho em meu padecimento.

*Ainda, de Pablo Neruda. 2ª Edição. Tradução de Olga Savary. Editora José Olympio.