Mais de mil inscritos no Poemas no Ônibus

A edição de 2012 do Poemas no Ônibus e no Trem quebrou recordes - recebemos mais de mil poemas na edição atual do concurso!

Concurso HT bate recorde de inscritos em 2012

O concurso Histórias de Trabalho bateu recorde (de novo) em 2012.

Blau Nunes traduzido

Acaba de ser lançada uma nova edição do clássico Contos gauchescos e lendas do sul, de Simões Lopes Neto (em 2012 comemoramos o centenário do lançamento do livro).

Homenagem a Augusto dos Anjos

Comemoração na Festipoa Literária: os cem anos da publicação de Eu, histórico livro de poesia de Augusto dos Anjos.

Criada em Porto Alegre a Associação dos Professores de Literatura

No encontro organizado pelo grupo Literatura Urgente durante o sábado passado, na Sala Álvaro Moreyra, professores de Literatura se reuniram ecriaram a Associação dos Professores de Literatura.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Os muitos nomes de um escritor

Conhece a obra de Charles Lutwidge Dodgson? Não? Mas nunca leu Alice no país das maravilhas?

(Ué, mas não era do Lewis Carroll?)

Pois é. Lewis Carroll era o pseudônimo do escritor. Assim como o escritor brasileiro Fernando Jorge, que assinou seu livro Hitler - o retrato de uma tirania como Herman Zumerman devido às exigências de seu editor, e como Machado de Assis, que publicava alguns textos sob o nome de Boas-Noites, ou Dr. Semana, ou Lélio, ou Malvólio, ou Platão, Sousa Barradas, etc. As razões variam, claro (Fernando Jorge utilizou o nome alemão porque literatura estrangeira vendia melhor no Brasil e Machado queria expor opiniões políticas ousadas sem vinculá-las ao seu nome).

Mas os pseudônimos não são só características de autores que precisam ocultar suas identidades: em diversos casos, o nome é escolhido simplesmente porque o escritor o prefere. Poucos conhecem o poeta Ferreira Gullar pelo nome José Ribamar Ferreira. 

O poeta português Fernando Pessoa, porém, utiliza heterônimos. Ou seja: seus textos escritos com nomes diferentes referiam-se, no caso, a autores inventados, dotados de uma personalidade e de ideias distintas das de Pessoa, que existiam no interior da psique do escritor. Pessoa era (e não era) um pouco de Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, entre outros...  

Procure pelo nome certo: veja alguns livros que temos disponíveis na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães de autores que utilizam pseudônimos (ou heterônimos):

Antologia poética, de Ferreira Gullar.
código da BPMJG: B869.1 F383









Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll
código da BPMJG: IJ Ficção C319al








Antologia poética, de Fernando Pessoa (com comentários de Jane Tutikian)
código da BPMJG: 869.1 P475fe



1984, de George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair)
código da BPMJG: 823 079m

  

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Não leia!

Parabéns, você caiu no truque para pegar curioso! 

“Tudo que é proibido é mais gostoso” – Diz a máxima. Bom, se você está aqui lendo isso neste instante (obviamente está), terá que concordar pelo menos em parte com ela, afinal, colocamos o título “não leia” propositalmente, e mesmo assim você está aqui. 

Então por que não se utilizar da curiosidade humana para despertar o interesse de leitura nos jovens? 

Pensando nisso, um grupo de americanos criou o projeto The Uprise Books, cujo objetivo é estimular jovens e crianças carentes a adquirirem o hábito de ler. O projeto, inicialmente financiado através de uma plataforma de crowdfunding (arrecadação colaborativa de patrocínio), ainda está em desenvolvimento. No entanto, quando estiver pronto, disponibilizará em seu site uma lista de livros proibidos nos EUA (livros cabeludos que foram retirados de circulação por alguma razão), no qual estudantes carentes poderão selecionar o livro que lhes interessar, fazer o pedido e recebê-lo gratuitamente em suas casas. Pena que ainda não temos algo assim aqui no Brasil... 

Conheça mais sobre o projeto aqui (em inglês). 

Já que estamos falando disso, aproveite para conferir alguns dos livros anteriormente censurados que agora estão disponíveis para leitura, inclusive na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães




Carrie, a estranha
, de Stephen King

Carrie / 2001
KING, Stephen. Carrie. Rio de Janeiro: Objetiva, [2001].








Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley 

Admirável mundo novo - 6. ed. / 1979
HUXLEY, Aldous. Admirável mundo novo. 6. ed. Porto Alegre: Globo, 1979.







As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain

Aventuras de Tom Sawyer, As / 1980
TWAIN, Mark. As aventuras de Tom Sawyer. São Paulo: Abril Cultural, 1980.







A cor púrpura, de Alice Walker

Cor púrpura, A / 1982
WALKER, Alice. A cor púrpura. São Paulo: Círculo do Livro, c1982.

Lexicário - Sidnei Schneider

Resgatamos a seção Lexicário (lembra dela aqui no blog?), onde perguntamos a escritores que palavras da língua portuguesa eles consideram as mais interessantes. O entrevistado de hoje é o poeta, tradutor e contista porto-alegrense Sidnei Schneider (que recentemente participou da homenagem a Augusto dos Anjos na Casa de Cultura Mário Quintana). O escritor tem dois livros de poesia publicados, traduziu Versos Singelos, de José Martí (SBS, 1997), e tem material publicado em diversas antologias poéticas, além de jornais e revistas.   


CLL - Qual palavra da língua portuguesa tu mais gostas?

Schneider - QUICHILIGANGUES. É a palavra que dá título ao meu livro. Gosto da sonoridade de quichiligangues. Ela tem um balanço, ela dança. E eu tinha um dicionário que, sempre que eu o abria, caía na página na qual constava essa palavra. É uma palavra que tem origem na língua africana banto, mas já faz parte do português há muito tempo. 

CLL - E qual palavra tu achas que deveria ser resgatada?

Schneider - Bem, quichiligangues já é um resgate, mas... MACAMBÚZIO. Significa o mesmo que meditabundo, amalcabuciado... O que chamaríamos hoje de melancólico, triste ou (termo gaúcho) abichornado. Lembro-me bem desta palavra porque a conheci quando tinha catorze anos - minha namorada me ensinou macambúzio, meditabundo e amalcabuciado, e nunca esqueci.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Chute na estante: Glênio Peres e seu caderno de notícias



Nós, jovens porto-alegrenses, quando ouvimos ou lemos o nome de Glênio Peres, não hesitamos em associá-lo apenas ao largo (e não por coincidência) de mesmo nome localizado em frente ao Mercado Público da capital. Pois bem, o Chute na estante desta vez derrubou mais um livro da sessão de poetas gaúchos da biblioteca municipal Josué Guimarães: o Caderno de notícias (COOJORNAL, 1978), do poeta, jornalista, ator, compositor, advogado e (ufa!) político rio-grandense Glênio Peres.

Dizem os jornalistas que a figura de Glênio era interessante - definitivamente marcante por onde passava. Tão forte como marcante, o poeta - sendo também todas as outras coisas além de poeta - passou por diversos locais: trabalhou nos já extintos Diário de Notícias e O Estado do Rio Grande; coolaborou com O Pasquim e a revista Cadernos do Terceiro Mundo; elegeu-se como vereador na cidade de Porto Alegre, sendo, logo depois, cassado com base no AI-5; e, após a anistia, foi nomeado, ao lado de Alceu Collares, vice-prefeito da capital gaúcha. Glênio morreu vítima de câncer em 1988 e, merecidamente, recebeu uma homenagem digna de sua figura: o conhecido largo com seu agora não tão lembrado nome.

Pois o livro que caiu em nossas mãos não nega a brasa nervosa com que Glênio Peres enfrentava seu mundo. Tarso Genro soube argumentar sobre o próprio título que leva a obra: "ao invés de Caderno de notícias, este livro poderia ter o título de depoimento sobre temas impuros ou o que penso desta realidade asfixiante ou ainda de como a poesia pode intervir diretamente na conjuntura sem perder sua relação com a arte." E, nesse ritmo, Tarso ainda ressalta:

- Acredito que o livro de poesia de Glênio Peres o dignifica como homem e o qualifica como poeta, porque ele consegue elevar os aspectos dramáticos da nossa existência ao nível da poesia, aberta, clara, fácil, como são todas as coisas verdadeiras. Não posso deixar de registrar que ela tem aspectos chocantes para os que sentem e defendem a arte como um território privado, no qual os intelectuais escrevem para outros intelectuais e os iluminados escrevem para os iluminados, numa espécie de compra e venda de elogios e recomendações.

As poesias do Caderno são distribuídas em quatro sessões, sendo elas Caderno de Notícias Minhas, Caderno de Notícias da Cidade, Caderno de Notícias Cá da Terra e Caderno de Notícias de Outras Bandas. E cada uma, logicamente, restringe-se por temas explícitos já no seu próprio nome. Enquanto a primeira expõe reflexões mais subjetivas do poeta, a segunda discorre (se é que podemos falar assim com poesia) sobre ruas e locais da capital. Já na terceira sessão, o foco é um pouco mais abrangente, com determinadas temáticas brasileiras. A última, como o nome já indica, apresenta discursos sobre o exterior, trazendo países como México, Estados Unidos e Cuba para dentro de seu texto.




I
Caderno de Notícias
Minhas



Canção para ninar meu pai

Aos setenta e dois anos de idade
um bisturi entrou na barriga do meu pai.

Fosse mais abaixo
encontraria a matriz
de uma dúzia de filhos.

Fosse na cabeça
a memória
de tantas necessidades e tristezas

Fosse nos braços
ou nas pernas
o cansaço de todas as penas do trabalho

Foi na vesícula:
encontraram uma pedra.

Fosse no coração
achavam ouro.


Das definições

Quem quer definir saudade
não diz nada - fala a esmo - 
saudade não se define:
saudade é saudade mesmo.


Brava gente

Mulheres
sois perigosas
guerrilheiras desarmadas

De noite agitais o sono-
pesadelo dos tiranos
de dia agitais o lenço
da paz pelos torturados

- De onde tirais força 
para lutar com palavras
a fé contra as ditaduras?

Por certo de vosso ventre
onde se gera a criança
livre que o mundo terá

Quando não houver exílios
nem prisioneiros de idéias
algozes espancadores
espiões da violência
exploradores de homens
- Que fareis, bravas mulheres?

Descansareis da guerrilha
pela Anistia no mundo
embalando em vossos braços
os filhos da Liberdade.




II
Caderno de Notícias
da Cidade



Alvorada

- Levantem, meninos!

- Onde já se viu
dormir assim na rua
sob jornais e sobre papelões?

- Além do mais
saibam que o Calçadão
foi feito
para humanizar
esta cidade.

- Levantem, meninos!


Nem favela

Um dia
Velha Restinga
visitei o teu colégio
- Tu sabes o que achei?
piolho e sarna
Restinga
nos cabelos das crianças.

Elas não passam na escola
como os meninos que comem.
Já nascem com a cabecinha 
lesionada pela fome.

Velha Restinga
ainda doem
teu barro nos meus sapatos
e a memória dos casebres
residência da miséria.

Te falta tudo Restinga
porque nem favela és
te falta um mosso de pobres
para ter ricos aos pés.




III
Caderno de Notícias
Cá Da Terra



Constatação

Não se diga:
- O Rei está nu.
A mentira é pecado.
Diga-se:
- Olha a espada do Rei.


No país do Jogo Proibido

Responde, espelho meu:
- Que país dá ao trabalhador
mais do que eu?
Só na Esportiva
são quarenta milhões
cada semana
fora o turfe
a loteria
e outros bichos.


Escola maternal

Vem cá
fedelho
subversivo
comunista
marxista
leninista
trotskista
do alto dos teus
dois anos de idade
e com a doutrinação
que recebeste
nas escolas
Oca e Oficina
do Paraná
diz 
P A P A I .




IV
Caderno de Notícias
De Outras Bandas



Argentina

Outra batida na porta:
- É o bando de caçadores 
de irmãos para assassinar

um grito
metralhadoras
mais um morto na calçada

- Quero de volta meu pai!
- Onde levaram mi hermana?
- Hijos de puta... e um ai

Cai um pesado silêncio
cinza chumbo na Argentina
Buenos Aires desde muito
veste sua capa de medo.




Chute a estante você também:

Caderno de notícias
Glênio Peres
Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (COOJORNAL), 1978.
* Disponível na biblioteca municipal Josué Guimarães

Clássicos da Literatura Nerd

D. Adams, autor de Mochileiro das Galáxias

Sim, hoje é o Dia da Toalha, em homenagem ao indispensável item para todo o mochileiro das galáxias que se preze, segundo as palavras do mestre Douglas Adams (até mais, e obrigado por todos os livros!). Não obstante, o 25 de maio também homenageia toda uma subcultura: é o Dia do Orgulho Nerd. Sendo que todo nerd interessado em narrativas expostas fora das telas dos video-games já leu O guia do mochileiro das galáxias, vamos expor aqui algumas outras recomendações de obras literárias nérdicas (que fujam dos livros mais conhecidos, como Senhor dos anéis As crônicas de gelo e fogo, por exemplo):

Micro servos, de Douglas Coupland

A história, situada nos anos 90, fala sobre programadores que trabalham para a Microsoft. Descrevendo um regime de trabalho escravo (trabalham 16 horas por dia), o livro estabelece uma paródia da sociedade medieval - onde o senhor feudal, no caso, é Bill Gates. Para quem é ligado em informática e queria ter estado no Vale do Sicílio durante o boom tecnológico, o livro é um prato cheio.




Neuromancer, de William Gibson

Simplesmente a maior obra de ficção científica dos anos 80, criadora do gênero futurista cyberpunk. A série de filmes Matrix, dos irmãos Wachowski, deve muito à obra de Gibson.






Qualquer livro da série Discworld, de Terry Pratchett

Terry Pratchett é um escritor inglês que escreve literatura de fantasia. Sua característica mais marcante, porém, é a sátira - como Douglas Adams fazia piada com ficção científica, Pratchett faz com os universos de fantasia de Tolkien (O senhor dos anéis), C. S. Lewis. (As crônicas de Nárnia), e com muitos elementos da literatura de horror de H. P. Lovecraft. Indispensável pro nerd que quer ler fantasia sem levar tudo tão a sério.



Série Sagas, da editora Argonautas

Dialogando com o universo da literatura fantástica mundial, a editora porto-alegrense Argonautas criou a série Sagas: são diversos contos de autores rio-grandenses que se passam em universos fantásticos. Em seu terceiro volume, a série Sagas já tratou de fantasia (ligada aos jogos de RPG), faroeste (com um alguns desvios bizarras) e horror. Publicação dos mesmos idealizadores da Odisseia de Literatura Fantástica, vale a pena conferir o que os gaúchos estão fazendo dentro da literatura nerd.

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