terça-feira, 27 de setembro de 2016

Festejando Verissimo

Foto: Jordana Garcia
Foi em um Teatro Renascença lotado que na noite de ontem quase 300 pessoas cantaram em coro Parabéns a Você em homenagem ao escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, por seus 80 anos.

A noite de homenagem começou com um bate-papo reunindo o também cronista e publicitário Rubem Penz, o jornalista e cartunista Guaraci Fraga, o Coordenador do Livro Márcio Pinheiro e o “próprio” Luis Fernando Veríssimo, isso para o público desavisado, porque na verdade se tratava de um display representando o escritor, que não pôde estar presente. A plateia ao final do bate-papo fez perguntas e comentários. Em seguida, 12 atores estiveram em cena, sob a direção de Bob Bahlis, que também atuou, com o espetáculo “Cronicamente Verissimo”, abordando oito crônicas do autor e apresentado especialmente em sua homenagem.

Foto: Jordana Garcia


Segundo Marcus Schil, um dos atores em cena, “Para a maioria dos atores, foi a estreia no consagrado palco do Renascença. Preparamos um presente com todo carinho para o Verissimo, e a Secretaria da Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, realizou uma noite especial para o nosso grande escritor.”

Foto: Jordana Garcia





O evento teve entrada franca e foi uma parceria entre as Coordenações de Artes Cênicas, do Livro e Literatura e Coordenação de Música da Secretaria da Cultura de Porto Alegre.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Verissimo80: celebração do aniversário de Luis Fernando Verissimo

O 80º aniversário do escritor Luis Fernando Verissimo, no próximo dia 26 de setembro (segunda-feira) será comemorado com o evento gratuito Verissimo80, no Teatro Renascença. A programação, a partir das 19h, inclui debate e sessão da peça Cronicamente Verissimo, inspirada em crônicas de LFV.



No início das atividades, o cronista e publicitário Rubem Penz e o jornalista e cartunista Guaraci Fraga fazem um bate-papo para abordar diferentes aspectos da vida e da obra de Verissimo – um dos autores gaúchos mais conhecidos em todo o Brasil.

Na sequência, será apresentado o espetáculo teatral Cronicamente Verissimo, com encenações de oito crônicas, intercaladas com depoimentos do autor projetados em vídeo. O roteiro prevê humor e também um pouco de drama: no texto Condomínio, por exemplo, um preso político descobre que seu ex-torturador agora mora no mesmo prédio. O texto final e a direção são assinados por Bob Bahlis, e o elenco tem Bruno Palharini, Carolina Carrion, Daniel Topanotti, Fernando Hammel, Janaina Zorzato, Jorge Alexandre, Lauren Castro, Marcus Vinicius Schil, Renato Ribeiro e Nádia Lopes – além dos atores convidados Eduardo Segato e Vini Bonds.

A entrada é franca, e as senhas podem ser retiradas na bilheteria do teatro a partir das 18h30min. O evento é uma realização conjunta das coordenações de Artes Cênicas, Livro e Literatura e Música – todas vinculadas à Secretaria da Cultura de Porto Alegre.

O que: evento Verissimo80 (bate-papo com Rubem Penz e Guaraci Fraga e espetáculo Cronicamente Veríssimo)
Quando: 26/9, às 19h
Onde: Teatro Renascença – Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues (Avenida Erico Veríssimo, 307)
Quanto: entrada franca (senhas na bilheteria do teatro a partir das 18h30min)



15ª Feira de Troca de Livros de Porto Alegre



A Feira de Troca de Livros de Porto Alegre ocorrerá neste próximo Domingo, dia 25, com objetivo de divulgar, incentivar e valorizar o livro e a leitura, por meio de trocas de títulos lidos por outros ainda a serem lidos.

A feira contará com duas oficinas:

10h às 11h – Oficina de Conservação de livros, com a bibliotecária Luziane Graciano

A oficina visa desenvolver competências de conservação e preservação de materiais bibliográficos, com dicas de como preservar livros e atividade prática de costura de livros infantis e apostilas.
Material: agulha grossa, linha e folhas de ofício.

11h – Oficina ABNT sem estresse com a bibliotecária Luciana Kramer

Voltada para Bibliotecários e demais profissionais que trabalhem ou pretendam trabalhar com Normatização de Trabalhos Acadêmicos, a oficina busca compartilhar experiências e funções do Word que otimizem a qualidade deste serviço. Pré-requisito: conhecimento nas normas de documentação.

Além disso, teremos palestras, contações de histórias e um bate-papo sobre a escrita de romance com escritor Daniel Galera

Foto: Henrique Fanti


Não perca! Salve o dia 25 de setembro na sua agenda, separe os seus livros, inscreva-se nas oficinas e venha participar da feira com a gente!

Inscrições para as oficinas:
Pelo email: bibliot@smc.prefpoa.com.br
Pelo telefone: (51)3289-8078 / (51) 32898099


CLIQUE AQUI E CONFIRME A SUA 

PRESENÇA NO EVENTO



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Doação de livro: a biblioteca aceita ou não?


Todos os dias recebemos ligações, e-mails e visitas de pessoas com a mesma dúvida: a biblioteca recebe doações de livros? Sim, nós recebemos doações, porém, existem alguns pontos que são analisados antes de aceitarmos qualquer obra. Afinal, precisamos manter o acervo qualificado e atualizado para atender as demandas da comunidade.

Critérios para o recebimento de doação de livros:
- Condições físicas do material;
- Relevância do conteúdo;
- Atualização da obra. 

Revistas:
- Serão aceitos fascículos para completar falhas nas coleções já existentes;
- Em caso de inexistência do título, a coleção deve estar a mais completa possível;
- Posteriores a 2015.

Não serão aceitos:  
- Livros do professor;
-  Jornais  
- Cópias xerográficas;
- Livros publicados antes de 2010 (com exceção dos livros de literatura);  
- Livros Plano Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE);
- Livros do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD);  
- Suportes físicos antigos (VHS, fita cassete, disquetes, etc);  
- Folhetos, relatórios, catálogos;  
- Livros de outras bibliotecas sem o carimbo de descarte;  
- Obras danificadas, com páginas faltantes ou soltas.

Conheça o Banco de Livros, uma instituição criada para garantir um maior acesso da população à leitura, que também aceita doações:

http://www.bancossociais.org.br/Hotsite/37/Banco-de-Livros/pt/Inicial  (Banco de Livros)

Esperamos ter esclarecido suas dúvidas!


Página da Biblioteca no facebook: https://www.facebook.com/BPMJG/



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Selecionados no Concurso "Histórias de Trabalho" / 2016

A Coordenação do Livro e Literatura tem a honra de divulgar os selecionados no Concurso Histórias de Trabalho 2016, nas categorias Narrativas Verdadeiras ou Inventadas, Cartum, Fotografia e Histórias em Quadrinhos. Confira a seguir os nomes dos selecionados em cada categoria:




 Narrativas Verdadeiras ou Inventadas:

Ana Luiza Tonietto Lovato - Insônia

André Telucazu Kondo - Fábrica

Afonso Claudio Machado do Carmo - Ano que vem, eu serei outro homem

Carolina Rieger Massetti Schiavon - Rastro

Claudete Panzenhagen - Tulipa Aquarela

Evandro Valentim de Melo - Coração de Mãe

Felipe Carvalho - A notícia

José Paulino Júnior - A Faina do Lanço

Vinícius Machado Vieira - Olhar para baixo nunca foi problema

Waldir Capucci - Olhar para baixo nunca foi problema


Cartum

Mauro Antônio Russo - Édes Corruptos



Histórias em Quadrinhos

Adão Silveira de Lima Jr. - O Valor da Virtude

Alisson Ortiz Affonso - O Novato

Paulo Alves dos Santos - Lugar de criança é...



Fotografia

Dieniffer de Souza Silva - Pescador: o velho e o mar

Fernanda Barros de Matos - Fiapos

Henrique Ribeiro da Silva - Estátua Viva

Jane Rosana Cassol - Museu do amanhã: trabalho manual

Marli Isabel Sassi Saraiva - Sol a Sol

Rubem Rocha Leal - Trabalho para consumo





O resultado dos selecionados pode ser conferido também na página 29 do DOPA (Diário Oficial de Porto Alegre) aqui. 



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Selecionados no concurso "POEMAS NO ÔNIBUS E NO TREM" / 2016

A Coordenação do Livro e Literatura tem o prazer de divulgar o título dos poemas selecionados nesta edição do Concurso Poemas no Ônibus e no Trem. Confira a seguir quem irá pegar carona nos ônibus e nos trens de Porto Alegre e da região metropolitana: 


Alberto Martins Sequeira - Garota 
Ana Luiza Von Döllinger de Araújo - De verdade 
Ana Paula Vieira de Moraes - Se tiver vento 
Anabel Morigi Battistella - Sabedoria 
Antonio Messias da Rocha Filho - Outros Amigos 
Arno Leandro Kayser - Poema de Amor nº 11 
Bárbara A. Sanco Camargo Gomes - Poeminha adolescente 
Carla Cristina Pastro Corrêa - (Massa)Crados 
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti - O Assombro da Múmia 
Carlos Alberto Pessoa Rosa - Treco 
Carlos Eduardo da Silva Ribeiro - Gato não é burro 
Carlos Frederico Schroer - Do nada 
Carolina Meyer Silvestre - Solfejo da saudade 
Cláudio de Almeida - Amor de primeira Viagem 
Cleber Souza Cordeiro - De ouvido 
Cristiane Dias - A fila anda 
Dagmar Roswita Schünemann - Desabitado 
Demétrio de Azeredo Soster - Sobre Peixes, poças e calçadas 
Eliana Ruiz Jimenez - Palpitação 
Gabriela de Fátima Vieira - Poema para Duílio 
Gerson Iserhard Nagel - Fio de vida entre nós 
Gustavo Santana Machado - Vida 
Jéssica Januário da Rosa - Explosão de cores 
João Henrique Assumpção Barão - Quando você me ama? 
João Ronaldo dos Santos Matheus - O Herói Anônimo 
Jussara Maria Nodari Lucena - A lua de Porto Alegre 
Karina Bortowski - O Nascer de um momento 
Leonardo de Oliveira Cruz - As minhocas 
Ligia Maria Scarello Gonzatti - Lista de desejos 
Luciana Costa Brandão - Beija-flor no t7 
Luciano dos Santos Alves - Horizonte 
Maria Aparecida Becker Sander - Tardinha 
Maria Bernadete Saidelles Ferreira - Arco-íris 
Maria Cristina Martim Branco - Intenção 
Michele Justo Iost - O (des)amor no meio-fio 
Micheline Madureira Lage - Sobre os lados 
Michelle Conterato Buss - Urbana 
Milene Barazzetti Machado - Andorinhar 
Milton Braga da Motta Júnior - Incidente Diplomático 
Paulo César Brandão de Oliveira - Vaza e me erra 
Paulo Sergio Goulart - Ocaso 
Renata dos Santos Ruffo - Solidão em tempos de lotação 
Ricardo José de Souza Almeida - Epílogo 
Rodrigo Brito de Oliveira - Invenção 
Rosa Maria de Sousa - Nostalgia 
Rudinei Antonio Massaia - Huuum... 
Sergio Luiz de Oliveira Lopes - Inadimplências 
Vanderléia Ribeiro Reis - Felicidade é... 
Ykaris Freitas da Silva - Cristiele 
Zaira Maria Mota Cantarelli - Num pranto oceânico 

O resultado também pode ser conferido no DOPA (Diário Oficial de Porto Alegre) aqui.


Foto: Bruno Alencastro




segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Morre grande nome da literatura gaúcha

Não apenas a Coordenação do Livro e Literatura (CLL) recebeu como um golpe a notícia da morte de Paulo Bentancur, ocorrida nesse último domingo. A comunidade literária, sobretudo a gaúcha, lamenta a partida do escritor, crítico, editor e tradutor de 59 anos, nascido em Santana do Livramento, em 20 de agosto de 1957.



Paulo Bentancur foi Coordenador do Livro e Literatura nos anos de 2003 e 2004. Trabalhou de perto e incessantemente com a escrita, a edição e a organização de livros. Há um mês, ele se mudou para junto de Marta Aguiar, em Nilópolis, no Rio. Morreu do coração, ao lado de sua noiva.

Autor de grandes obras como Instruções para iludir relógios, Frio, Bodas de Osso e A solidão do Diabo, Paulo conquistou cinco Açorianos, o último deles pela edição de Três Pais, um projeto infanto-juvenil. Foi editor da Imprensa Oficial do RS (fundador da revista VOX XXI em 2000) e tradutor do espanhol, língua pela qual transitou regularmente em diferentes gêneros do seu trabalho.

Foi autor de 25 livros infanto-juvenis publicados por grandes editoras, como Bertrand Brasil, Saraiva, Grupo Positivo, Rigeel, Edelbra, entre outras. Tinha contos traduzidos e publicados na Argentina e na Itália. Suas críticas em jornais como Zero Hora, Estadão, Jornal do Brasil, Rascunho e outros discutiam sobre os grandes autores brasileiros e sul-americanos. Ele deixa duas filhas, Maria e Laura. Deixa também, felizmente, muitos livros.

A CLL fez uma seleção de poemas do autor e uma tradução feita por ele de um dos seus autores preferidos, Julio Cortázar.  


SAIO OU NÃO?


Imagens só ruídos
em ondas nos carregam,
não quero e quero ir.
Lá fora é longe e perto.
Distante, ainda estou dentro.
O trinco me condena.
A porta não espera,
tampouco me apressa,
e a noite, que se mostra
repleta de mulheres,
esconde todo o amor.

(em Bodas de Osso, Editora Bertrand Brasil)


AMPLITUDE


Ninguém ama um homem comum.
O terror da entrega é antigo.

Te quero tanto e disfarço.
Sou puro como a borra do café
e o pano de prato manchado.
Às vezes me gripo, me atraso.
Sei disfarçar o choro.

Ninguém ama um homem comum.
Fugiste quando eu me encolhi.
Queríamos o que o mundo podia,
e ele só podia nós dois.

(O tempo levava o amor
por sua mão já sem forças:
quatro dedos, pouco gosto.)

Um homem comum vê o tempo
arrastando-se em seu rosto.

Não quero prometer a rosa
que nem tu mesma encontraste.
Não quero salvar uma morta.
Quero que as nuvens convençam
a todos o que já sei:
sou um homem, não um rei.

Quem quiser um soberano,
terá de amar um séquito.
Quem aceitar-me sozinho,
encontrará este homem
que enxuga as tuas costas
e não diz uma palavra
seca e dura como o ouro
que mata os homens comuns.


APNEIA


Ai daquele que não sente nada
diante da morte, flor bruta contra a indiferença.
Ai daquele que não sente nada
Diante da vida, pedra em floração.
Ai daquele que não sente nada,
nada, nada, nada, nada.
Assim se afoga em tanto
e sua cinza é sua brasa.


ELA DISSE QUE NÃO SOU SÉRIO


Tudo porque o mundo
sério como uma gárgula,
grave como o mistério
imerso no coração do Minotauro,
ergueu-me pelo pescoço.
Eu não cumprira o prazo
de estar pronto, de completar
o percurso do vento, veloz
quase como a luz
que agora ela desliga.

Ela disse que sou o que não liga
para todas as mortes,
incluída a minha.
Sinto o peso da terra sobre meu corpo.


QUEM VÊ QUEM


Feita a travessia,
atraco o barco entre névoas.
Toda a esperada luz
é apenas treva
e avanço hesitante o caminho.

Onde andará, ela,
que parece habitar todo lugar
neste lugar de mil ninhos
onde ouso conquistar
um futuro, adaga a minha espera.

Ouço pio de corujas, ouço
sibilar de cobras, escuto
meu coração pulsando nos ouvidos
e me pergunto qual
desses castelos é o eleito.

Isso feito me aproximo de um.
A porta não é porta, vejo agora,
à frente dela o ar rarefeito se adensa:
um espelho!
Estou diante dele, desprotegido me vendo.

E ela atrás de mim.


INFÂNCIA COM SEDE


Livramento é como o Texas.
A pradaria, o deserto,
almas saudosas e rudes
e um céu que jamais ilude.

No sol do meio-dia caminhamos.
Há cinco horas a sede silenciosa
compreende tudo e não chora.
O suor de meu pai em gestos secos.

A mãe é uma aparição. Flutua
na poeira, nos pés pequenos. Ajuda
com a fé na procura de uma fonte.
Eu fui no Tororó, beber água

e não achei.


MINHA RÚSSIA


Chove há tantos dias em Porto Alegre. E o frio
É bem daquele tipo quando os ossos doem.
Mãos e pés sentem o nó das articulações.
As roupas necessárias se somam ao grosso casaco
E pesamos como o vento e a chuva lá fora.

Lá fora e aqui dentro. Porque a umidade invade tudo
E passamos a desejar uma cama e cobertores,
Tocando livros, amando online, substituindo
Os movimentos naturais por um lento caminhar,
Como o de um corcunda, como o de um velho de 90 anos.

Chove há tantos dias em Porto Alegre que as ruas marulham,
E é quase impossível andar pelas calçadas sem afogar os sapatos.
Os guarda-chuvas viram do avesso, tornam-se
A sucata socada pela tempestade.
Os óculos embaciam e se molham tanto que se perdem.

Nem parece que estamos no Brasil. E a palavra “trópico”
Soa irônica. Não olhamos o céu de chumbo e sua sombra
De dilúvio. Não olhamos sequer para os lados.
Todos se escondem em si mesmos. Todos se escondem
Uns dos outros.


LEITO


Flor que em ti brota todo dia
Colhida em minha boca já madura
Voraz engole o caule da procura
Ali onde eu juro que me escondo.

A mais fundura colheita, a tua
Carnívora pétala feita de ternura
Emaranhada entre lençóis, suores,
A mastigar o que me alimenta.
E quando me retiro, espesso fio
Leitoso como o teu, acompanhando-o,
Mistura-se num gosto dividido,
A azeitar um níveo óleo às nossas coxas.

O sono que se anuncia assim sono
Nos leva longe para aonde, em que era?
É a plena paz a interpretar o abandono.
Libertos do árduo preço dessa espera.

A busca do espasmo por dizer
Em suma o que é que afinal nós somos,
Encontrados nesse tão fundo prazer
De nos vermos como nossos próprios donos.


ESSE SILÊNCIO


Mergulho no silêncio mais profundo,
nado em suas águas de quietude
e nenhuma onda me sacode.
Até meu coração se aquieta
como se já não batesse
Como o coração de minha mãe morta
ou como a mulher que um dia me amou
e hoje não me ama e seu peito morno
dá calor agora a outro homem que fala
os inumeráveis sons a que me recuso.

Mergulho no aparente nada diante de tudo
e essa face de vazio esconde o túmulo de restos,
pole o metal dos dias vividos em glória.
Acolho com piedade os gritos sinceros
daqueles que ainda esperam tal auréola
ou daqueles que, a encontrando, explodem
aos pedaços, perdendo o que tinham de inteiro:
esse silêncio que me escuta, esse silêncio,
enfim um estado digno de um homem
que atravessou todas as palavras e ainda assim
o atingiu em cheio.


ENCARGO

Julio Cortázar

Não me dê trégua, não me perdoe nunca.
Fustiga-me o sangue, que cada coisa cruel seja tu que retornas.
Não me deixes dormir, não me dês paz!
Então ganharei meu reino,
nascerei pouco a pouco.
Não me percas como uma música fácil,
não sejas carícia nem toque de luva.
Corta-me como a um seixo, desespera-me.
Guarda o teu amor humano, o teu sorriso, teu cabelo. Entrega-os.
Vem a mim com a tua cólera seca de fósforos e de escamas.
Grita. Vomita-me areia na minha boca, quebra-me o maxilar.
Não me importa ignorar-te em pleno dia,
Saber que jogas o rosto para o sol e os outros homens.
Compartilha-os.

Eu te peço a cruel cerimônia do talho,
o que ninguém te pede: os espinhos
até o osso. Arranca-me esta cara infame,
obriga-me a gritar no fim o meu verdadeiro nome.

(tradução de Paulo Bentancur)



Fontes:
Literatura gaúcha perde um grande cara, por Luiz Gonzaga Lopes, no Livros A+. 
Paulo Bentancur, na Revista Biografia. 
Aos 59 anos, morre escritor gaúcho Paulo Bentancur, na Zero Hora. 

Setembro está quase aí e, com ele

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terça-feira, 16 de agosto de 2016

15ª Feira de Troca de Livros de Porto Alegre

A 15ª edição da Feira de Troca de Livros de Porto Alegre, promovida pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Secretaria Municipal da Cultura, por meio da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, será realizada no dia 25 de setembro de 2015 (domingo), das 10h às 17h, no Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues – Av. Érico Veríssimo 307, bairro Menino Deus. 

Inscrições para Bibliotecas: de 16 de agosto a 16 de setembro de 2016, ou até o preenchimento das 20 vagas disponíveis, pelo e-mail bibliot@smc.prefpoa.com.br.


CLIQUE AQUI PARA ACESSAR 

REGULAMENTO E  FICHA DE INSCRIÇÃO









quinta-feira, 28 de julho de 2016

Inscrições abertas para os prêmios Açorianos de Literatura Adulta e Infantil e Açorianos de Criação Literária 2016

Informamos que estão abertas as inscrições para o Prêmio Açorianos de Literatura Adulta e Infantil 2016. Escritores, artistas gráficos e editores podem concorrer com obras em primeira edição desde janeiro de 2015, assinadas por autores nascidos ou residentes em Porto Alegre, ou publicadas por editoras sediadas na capital gaúcha, desde que não tenham concorrido em edições anteriores do concurso.

Também estão abertas as inscrições para o Prêmio Açorianos de Criação Literária 2016 - Narrativa Longa. Outra importante ação cultural, o concurso é voltado para textos inéditos e premia o autor com a publicação da obra pela Editora da Cidade/SMC, além do troféu e de R$ 10 mil.

As inscrições podem ser feitas até 29 de julho pelos correios ou presencialmente, de segundas a sextas-feiras (exceto feriados), das 9h às 12h e das 14h às 18h, no Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues, na Coordenação do Livro e Literatura.

Seguem abaixo os links com os editais dos concursos com todas as informações necessárias: