quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Gaúchos nas leituras da UFRGS: Sergio Faraco

O último livro da série de autores gaúchos das leituras da UFRGS é Sérgio Faraco, natural de Alegrete e que teve sua formação na antiga União Soviética, onde estudou Ciências Sociais. Sua primeira publicação Idolatria (1970) teve grande destaque literário, e assim deu continuidade a sua carreira até chegar ao livro de contos “Dançar Tango em Porto Alegre” (1998), que é uma das leituras obrigatórias do vestibular da UFRGS 2015.

Dançar Tango em Porto Alegre é um livro com 18 contos, divididos em 3 partes: a primeira, com um universo fortemente fronteiriço com linguagem e ações rurais e por vezes brutas, trazendo um universo pampeano. A segunda parte mostra um universo mais urbano, no entanto com um forte olha ingênuo e infanto-juvenil, com histórias que contam episódios de medos e sensações infantis. E a terceira parte é ainda um universo urbano, contudo adulto, e com traços muito fortes de representatividade de Porto Alegre, parte essa com o conto que dá nome ao livre.

O conto se ambienta dentro de um trem e com um homem com ares de fracasso, indo de Uruguaiana até Porto Alegre, parando em Santa Maria. Ele reflete sobre seu insucesso profissional quando acidentalmente queima uma mulher com a fagulha do seu cigarro, tenta se desculpar e iniciar uma conversa que é travada de ambos os lados, quando por coincidência os dois descem em Santa Maria, iniciando-se assim uma conversa estranha e circunstancial até que em uma troca de olhares e em um rejeitado tocar de mãos ele garante um vagão para que eles possam consumar essa enigmática relação.
O que era para ser uma aventura sexual acaba virando decadência, e então, apenas com muito estimulo, é consumada uma relação de gozo e prazer intenso seguida de certa intimidade emocional ao trocarem confissões, ele se assume como um homem soturno e a convida para dançar um tango em Porto Alegre, que dissolve o encanto dessa situação. Logo cada um vai para o seu canto, quando pouco depois há um acidente nos trilhos, que lhe faz acreditar ser o suicídio daquela triste mulher, até que descobre ser apenas um animal. Na porta do vagão tornam a se encontrar, quando ela confessa ter pensado que seria ele a vitima do acidente e pega o narrador pela mão, assim o transpassa uma sensação de vigor e energia, mesmo que aquilo não fosse amor.


Dançar Tango em Porto Alegre está disponível no acervo da Biblioteca Municipal Josué Guimarães (Av. Erico Verissimo, 307)

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