sexta-feira, 7 de junho de 2013

Fragmentos - Por que os ponchos são negros

Seguindo com a seção Fragmentos, que tem por objetivo rememorar os lançamentos da Editora da Cidade, hoje apresentamos o livro de Roberto Schaan Ferreira, Por que os ponchos são negros (Editora da Cidade, 2012). O livro, lançado ano passado, foi o vencedor do Prêmio Açorianos de Criação Litearária 2012 na categoria Narrativa Longa. É o primeiro livro de Roberto Schaan. 

Por que os ponchos são negros, de Roberto Schaan Ferreira, livro vencedor do Prêmio Açorianos de Criação Literária 2011 na categoria Narrativa Longa


 O livro de Schaan narra as memórias de um protagonista anônimo durante a ditadura militar no Rio Grande do Sul. Na tangente de um grupo “subversivo”, acaba sendo tomado por revolucionário e tendo de fugir para o interior do Estado para escapar da opressão. Na trama, entre relato histórico de um período violento da história do Brasil e o resgate poético de uma juventude conturbada, há a impossibilidade de um romance e o trauma de um abandono forçado da própria identidade.

Pra dar uma leve prova do que o autor nos proporciona, aí vai um pequeno trecho do romance:

Na manhã nevoenta e úmida, as folhas lacrimejavam. Poucos pássaros se moviam ou piavam. O passo do cavalo embalava o torpor da noite mal dormida. Apenas uma dúvida, que pairava em alguma fronteira também nebulosa do meu cérebro, tentava me resgatar da sonolência. O felino me assombrava. Devia matá-lo. Essa era a missão que me trouxera ali.

Porém, impressionava-me a imagem do animal: seu vigor e sua naturalidade selvagens. Nunca me deparara com uma visão tão vigorosa da natureza animal. Os anos que passara ali me haviam ensinado muito de sua bela dinâmica. Sua determinação simples em prover à fome e à sede imeditas; sua exclusiva ocupação com o presente, tratando de salvar dia por dia; e, apesar disso ou por isso mesmo, sua obsessão em sobreviver. No seu horizonte não havia justiça ou injustiça, bem ou mal: havia a força, a agilidade, o instinto.

Outra vez me veio a consciência de que, ao chegar naquele ambiente, havia sido exposto à minha animalidade; que tivera que recuperá-la, que desenvolvê-la para sobreviver. Havia sido lançado ao confronto com um mundo físico e hostil que a humanidade já desconhecia. Mas nada pudera representar isso tão expressivamente quanto à visão do puma.

Roberto Schaan Ferreira nasceu em Passo Fundo no ano de 1958. É formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Conheça mais o autor, acesse o link








O livro está disponível na Biblioteca Municipal Josué Guimarães

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