sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Poesia Feminina na América Latina | Brasil IV

A CLL continua explorando o mundo poético das mulheres na América Latina. Dá uma conferida quem são elas, hoje continuamos com o Brasil.

Marly de Oliveira nasceu no Espírito Santo, no ano de 1935. Foi uma poetisa brasileira, professora de língua italiana e de literatura hispano-americana. Era a ex-mulher do poeta e membro da Academia Brasileira de Letras, João Cabral de Melo Neto. A escritora venceu, em 1998, o Prêmio Jabuti com "O Mar de Permeio". Faleceu em 2007 por uma falência multipla dos orgãos.

Um pouquinho da poesia de Marly:

Minha felicidade vem de quando estou só

Minha felicidade vem de quando estou só
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,

sem qualquer estratagema.

A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar,
investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,

minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,

hypocrite lecteur, mon semblable.

Pior que o cão é sua fúria.
Pior que o cão é sua fúria,
pior que o gato é sua garra,
pior que a sanha de ferir a que se esconde sob feição de amor.
Pior que a vida é a não-vida
do que se faz espectador;
nem mergulha, nem nada, nem conhece
o mar fundo:
está sempre à beira da estrada.


Lupe Cotrim Garaude, nasceu no dia 16 de março de 1933. Foi uma poetisa brasileira. Atuou também como tradutora e professora, na Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo.

Na década de 50, estudou literatura, línguas , artes e canto lírico . Em 1961, faz um programa de TV, que a projeta publicamente. Começa a estudar Filosofia na USP em 1963, onde conhece José Arthur Giannotti, com que viria a se casar.



Lupe foi dos nomes de destaque da poesia brasileira da década de 1960.

Em 1968 integrou a equipe de professores-fundadores da ECA, lecionando Estética e Pensamento Filosófico. Sua atuação notável diante dos desafios da recém-criada unidade da USP e, ao mesmo tempo, da conjuntura política adversa por que passava o país, levou os estudantes a darem o seu nome ao Centro Acadêmico da escola após sua morte prematura.

Infelizmente, tudo isso foi interrompido por um câncer e sua metástase um mês antes de ela completar 37 anos. Quando morreu recebeu o prêmio Governador do Estado por seu livro Poemas ao Outro.

Confere aí alguns versos da poeta: 

Destino mineral

Sou feita de uma carne perecível
futuro de outra carne, sem nenhuma
eternidade. A rocha é uma invencível
parte da terra; que ela me resuma
no seu mesmo destino mineral.
A solidez ausente que tortura
nossa matéria frágil, no final
se renderá: serei de pedra dura.
Nunca mais chorarei nessa passagem
de poesia. Com nítida certeza,
recorto nas montanhas minha imagem
mais que raiz, expressa na beleza.
Pela terra em que não me desfiguro
hei de surgir um dia em cristal puro.

Olga Savary
Olga Savary nasceu em Belém, no dia 21 de maio de 1933. É uma poeta brasileira.

Correspondente de diversos periódicos no Brasil e no exterior, organizou várias antologias de poesia. Sua obra também está presente em diversas antologias brasileiras e internacionais, como a Antologia de Poesia da América Latina, editada nos Países Baixos, em 1994.

Traduziu mais de 40 obras de mestres hispano-americanos, como Borges, Cortázar, Carlos Fuentes, Lorca, Neruda, Octavio Paz, Jorge Semprún e Mário Vargas Llosa, e também os mestres japoneses do haikai - Bashô, Buson e Issa.

É membro do PEN Club, associação mundial de escritores, vinculada à Unesco, da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI - Associação Brasileira de Imprensa e do Instituto Brasileiro de Cultura Hispânica. Foi presidente do Sindicato de Escritores do Estado do Rio de Janeiro em 1997-1998. É também conhecida por ter sido a primeira mulher brasileira a lançar um livro inteiramente dedicado a poemas eróticos.
Confere alguns versos da escritora:

TERRA
em golfadas envolvo-me toda
apagando as marcas individuais

devora-me até que eu
não respire mais. 



SEXTILHA CAMONIANA
Daqui dou o viver já por vivido.
Quero estar quieta, sozinha agora,
igual a uma cobra de cabeça chata,
ficar sentada sobre os meus joelhos
como alguém coagulado em outra margem.
Daqui dou o viver já por vivido
.

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