quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Retratos sobre a Lua



Há 174 anos, exatamente nesta época pós-reveillon, Louis Daguerre (1787 – 1851) tirava a primeira foto da Lua. Daguerre foi um importante pintor e fotógrafo francês, pai do daguerriótipo: um aparelho primitivo de fotografia.


Em 2 de janeiro de 1839 Daguerre tirou a primeira foto da Lua



            Sabe-se que a Lua é uma vertente inesgotável para a poesia. É um constante desejo, um brilho na inspiração que emerge no céu. Diz a lenda que um dos maiores poetas chineses, Li Po (701 – 762), morreu afogado ao tentar abraçar o reflexo da Lua no rio Yangzi. Por isso, em homenagem a Daguerre, Li Po, e tantos outros poetas que viram na Lua uma beleza infindável, mas, de certo modo, narrável. Em homenagem, alguns poemas sobre a lua.

           
Bebendo à luz da lua
(Li Po)
Um jarro de vinho entre as flores,
bebo sozinho - nenhum amigo me acompanha.
Alço minha taça, convido a lua
e minha sombra - agora somos três.
A lua não bebe
e minha sombra apenas imita meus gestos.
Mesmo assim, são elas as minhas companhias.
É primavera, tempo de festa -
canto, a lua escuta e cintila;
danço, minha sombra se agita, animada.
Enquanto estou sóbrio, juntos estamos os três;
quando me embriago, cada um segue seu rumo.
Selamos uma amizade que nenhum mortal conhece.
E juramos nos encontrar no mundo além das nuvens.


Lua adversa
(Cecília Meireles)

Tenho fases, como a lua 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 
Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...


O Eterno Espanto
(Mario Quintana)
Que haverá com a lua que sempre que a gente olha é com o súbito espanto da primeira vez?


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