sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Finalistas Açorianos: Criação Literária em Poesia | Dogival Duarte

Dogival Duarte | Foto: Divulgação
O escritor Dogival Duarte é finalista do Prêmio Açorianos de Literatura, na categoria Criação Literária em Poesia, com o livro Noturnos & Vespertinos. Confere quem são os finalistas e o que eles tem a dizer!

CLL - De que maneira começou a tua relação com a poesia? Começou primordialmente por ela ou teve passagem por outros gêneros literários?

Comecei lendo literatura de cordel na adolescência. Aquelas rimas e aquelas histórias populares me fascinaram. Quando cursei Letras me aprofundei na literatura e na poesia nacional e mundial. A poesia me levou a outros gêneros literários. Minha paixão é o poema. Escrevo crônicas, contos, teatro e artigos para jornais, mas sempre volto ao poema. 
 
CLL - Qual é a mesura entre um poema bom e um poema ruim? O que qualifica a poesia?
A poesia é ampla e sempre um ponto de partida para muitos que escrevem. Talvez a facilidade de escrever poesia tenha levado a mesma à banalidade, muitos escrevendo muita poesia. É difícil medir, mensurar, mas tem muita poesia sem qualidade, rasteira. Há que se dedicar para qualificar a poesia. Há que sempre mudar de forma para se lapidar o trabalho poético. Tem muita poesia boa por aí, gente nova sempre surgindo. Mas a poesia ainda é um gênero de segunda pela quantidade de poetas que ainda não amadureceram o trabalho ou sempre muita gente iniciando a escrever e, não raro, iniciam pela poesia. Portanto, a poesia sempre está sendo um degrau para muitos ao invés de ser uma finalidade ou projeto de vida.

O que qualifica a poesia é a maturidade, a abrangência, a inserção na vida e sua vontade de transformação de realidades e a multiplicação da vida abundante, sem esquecer a paz inquieta a ser transmitida, anunciada Suporto bem poemas ruins porque sempre considero que os poetas ruins de hoje podem crescer e amadurecer, inclusive, podem produzir boas coisas no futuro. Jorge Amado começou como poeta e virou um mega romancista, assim como tantos outros. Mas foi preciso passar pela poesia para lapidar o espírito, amadurecer seu trabalho. Poucos permanecem poetas, mas muitos passam pela poesia.

É “apanhando” ou “sofrendo” que se aprende a escrever, seja poesia ou outro gênero. Digo que suporto bem a poesia sem muita qualidade porque é somente publicando que a pessoa vai aprendendo, se não publicar não cresce, não muda, não amadurece.

CLL - Poesia é visceral ou racional?

Como diz o filósofo, “sou todo coração”, mas faço brotar com certa facilidade o lado visceral e racional. Tudo depende do momento, do olhar, do sentir, da percepção do instante. O instante é fugaz, mas pode ser
eternizado de forma amorosa (coração), visceral ou racionalmente.
CLL - Tu vê a internet como um bom meio para divulgar o escritor, ou o livro ainda é o melhor canal? Qual é a expectativa que tu tens com a publicação?

A internet é uma ferramenta veloz, eficaz, moderna e ajuda muito. O livro é o velho guerreiro que continua a labuta de Davi contra Golias. Tudo é válido e soma para divulgar o livro. Tudo finda no livro. Ou seja, por mais a que internet seja um suporte importante, um dia brota o desejo de publicar.

CLL - Qual a importância do Prêmio Açorianos pra ti e como tu acredita que ele repercute dentro da classe artística da região?

O Açorianos é um mega portal de visibilidade, apoio, incentivo, ele abre portas. O Açorianos é a grande referência artística, cultural e literária do RS. Creio que para a classe artística o Açorianos é o nosso Jabuti, com um gostinho mais saboroso por ser nosso.

A classe merece ter o Açorianos para destacar as iniciativas e o RS pode, assim, se orgulhar com os destaques na classe artística em tantas áreas, reconhecendo feitos e iniciativas artísticas e culturais de peso no Estado. Ou seja, a classe se orgulha do Açorianos e ao mesmo tempo o Açorianos cumpre um significativo gesto em reconhecer e laurear trabalhos variados de nossa cultura.

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