quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

200º Aniversário dos Contos de Grimm

A série, inicialmente publicada pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, completa hoje 200 anos.

Foram publicadas duas edições dos Contos de Grimm, a primeira em 1812, contendo 86 histórias. Esta primeira fora criticada por seu caráter não tão infantil. A segunda edição foi publicada em momentos diferentes, dois volumes em 1819 e um terceiro em 1822. No total são 170 contos, entre eles os clássicos contos-de-fadas Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João e Maria, Cinderela, Branca de Neve e os sete anões... enfim, a maioria contos mundialmente conhecidos.

Em homenagem a este aniversário, releia o conto O Rei Sapo, mais conhecido no Brasil como Príncipe Sapo, um dos Contos de Grimm. As ilustrações são de Walter Crane, feitas para o livro The Frog Prince em 1874.




O Rei Sapo (Der Froschkönig oder der eiserne Heinrich)  
Irmãos Grimm

Era uma vez, um rei cujas filhas eram todas belas, mas a mais nova era tão linda que chegava a incomodar as outras. Perto do castelo havia um grande bosque, e no bosque, debaixo de uma árvore, havia um poço. Quando fazia dia quente, a filha mais nova do rei saía para passear no bosque e sentava-se à beira do poço. Quando a princesinha se entediava, pegava uma bola de ouro e jogava-a para cima para apanhá-la de novo, era sua brincadeira favorita. Mas aconteceu, certa vez, que a bola de ouro da princesa não caiu na sua mão e, sim, dentro do poço.O poço era fundo, tão fundo que não se via seu fim. Então, ela começou a chorar e chorava cada vez mais alto. De repente, ouviu uma voz que dizia:

- O que foi que aconteceu com a filha do rei? Por que choras tanto?

Ela olhou em volta, procurando de onde vinha aquela voz, e viu então, um sapo, que punha sua grande e feia cabeça para fora d´água.

- Ah, és tu, velho sapo? – disse ela. – Estou chorando por causa da minha bola de ouro que caiu no fundo do poço.

- Sossega e não chores, respondeu o sapo, eu posso te ajudar. Mas o que me darás em troca se eu devolver a tua bola?

O que tu quiseres, querido sapo – disse ela, - meus vestidos, minhas jóias e também esta coroa de ouro que estou usando.

O sapo respondeu:

- Teus vestidos, tuas jóias e tua coroa, eu não quero. Mas se aceitares gostar de mim, para eu ser teu companheiro na hora de brincar e sentar-me a teu lado à tua mesa, comer no teu prato e beber na tua taça e dormir na tua cama! Se me prometeres isso, eu descerei para o fundo do poço e te trarei de volta a bola de ouro.

- Está bem, disse ela, eu te prometo tudo isso, mas vá buscar minha bola de ouro. Mas ela pensou consigo mesma, “que bobagens fala esse sapo simplório, como pode ser meu companheiro se vive sempre dentro da água?”

O sapo quando ouviu a resposta, mergulhou de cabeça no poço, desceu ao fundo e voltou trazendo a bola de ouro da princesa. A princesa tão logo pegou a bola saiu correndo para o Castelo.

O sapo gritou – leva-me contigo, eu não posso correr tão depressa!

Mas ela não lhe deu atenção, apressou-se para chegar em casa, trancar a porta, e logo esqueceu o pobre sapo. No dia seguinte, quando ela, estava à mesa com o rei e toda a família e comia no seu pratinho de ouro, eis que alguma coisa , veio se arrastando, subindo pela escadaria de mármore do Castelo. Era o sapo, que quando chegou em cima, bateu na porta e gritou:

- Filha do rei, a mais nova abre para mim!

Ela correu para ver quem era e quando abriu a porta e viu que era o sapo, bateu com a porta e voltou a sentar-se com muito medo.

O rei percebeu que ela estava muito nervosa, e disse:

- Minha filha, de que tens medo?

Há algum gigante na porta querendo te levar?

- Oh, não, mas é um sapo nojento.

- E o que este sapo quer de ti?

- Ah, meu pai querido, ontem estava brincando com minha bola de ouro e ela caiu no poço. Como eu chorava muito, o sapo foi buscá-la para mim, mas exigiu ser meu amigo de brincadeiras. Eu prometi porque achei que ele não poderia viver fora d´água. Agora está lá fora querendo entrar aqui.

Enquanto isso lá fora o sapo batia na porta e gritava:

“Princesa, a mais nova abre a porta para mim!
prometeste a mim, lá junto do poço?
prometeste, sim! princesa,
a mais nova abre a porta para mim!”

Então o rei disse:

- O que tu prometestes, deves cumprir. Vai agora e abre a porta para o sapo!

Ela abriu a porta, e o sapo entrou pulando e foi até a cadeira dela, sentou-se e gritou:

- Leva-me para junto de ti!

Ela hesitou, até que finalmente o rei mandou que o fizesse.

Quando o sapo já estava à mesa ele disse:

- Agora empurra o teu pratinho de ouro para mais perto de mim, para podermos comer juntos!

A princesa obedeceu, mas sem vontade. O sapo comeu bastante, mas ela quase não comeu nada, não passava na garganta!

Finalmente ele disse:

- Fartei-me de comer e estou cansado, agora leve-me para o teu quarto para dormirmos juntos.

A princesa começou a chorar, pois tinha medo do sapo e não se atrevia a tocá-lo. Como ia dormir com ele?

Mas o rei zangou-se e ordenou:

- Quem te ajudou na hora da necessidade, não podes desprezar depois!

Então ela agarrou o sapo e carregou-o para cima e colocou-o num canto do quarto. Mas quando ela se deitou ele veio pulando e disse:

- Estou cansado, quero dormir, igual a ti. Levanta-me senão conto ao teu pai!

Aí ela ficou furiosa, levantou o sapo e atirou-o com toda força contra a parede do quarto. – Agora me deixará em paz, sapo nojento!

Mas, quando ele caiu, já não era mais um sapo, mas um lindo príncipe de belos olhos.

Ele contou que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa malvada e não poderia sair da água, só se fosse uma princesa que o tirasse. Ambos adormeceram e na manhã seguinte, chegou uma carruagem com o servo do príncipe, seu fiel escudeiro que ele mandara chamar. A carruagem veio para levar o príncipe de volta ao seu reino, mas levou junto a linda princesa também, pois tinham casado na véspera. Agora estou muito feliz e assim será para sempre, disse o príncipe e a princesa concordou. 
 

Aviso: não saia por aí beijando sapos.

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