terça-feira, 27 de novembro de 2012

Finalistas Açorianos 2012: Poesia | Maria Carpi

Maria Carpi | Foto: Leonardo Brasiliense
A CLL preparou uma série de entrevistas com os finalistas do Prêmio Açorianos de Literatura 2012, hoje quem fala com a gente é a escritora Maria Carpi - finalista do Prêmio na categoria poesia, com o livro A Chama Azul (Editora AGE, 2011). Confere aí o que ela contou pra CLL!


CLL - De que maneira começou a tua relação com a poesia? Começou primordialmente por ela ou teve passagem por outros gêneros literários?

Maria Carpi – Sempre faço uma distinção entre ser poeta e ser escritora de poesia. Acredito que sou poeta desde o ventre de minha mãe (junto um poema a respeito disso) e me tornei escritora de poesia mais ou menos aos 37 anos. Ser poeta é uma maneira de existir com mais intensidade, aprimorando os sentidos para melhor perceber as belezas e contradições da vida. E ser escritora é uma decisão que implica persistência, disciplina e trabalho de linguagem. Ninguém precisa se tornar escritor de poesia, mas todos somos convidados a sermos poetas para o grande milagre do diálogo amoroso da humanidade e da natureza.

Minha formação é jurídica. Formei-me em Direito pela UFRGS e fiz concurso para a Defensoria Pública, quando trabalhei na área dos Direitos da Infância e Juventude. Considero a realização da Justiça um poema social e coletivo. Também lecionei Linguagem Jurídica na Faculdade de Direito da PUC. Mas, como me referi acima, sempre me acompanhou uma reflexão poética a respeito de tudo. Também sou mãe de quatro filhos. Sou mais inédita do que publicada. Tenho doze livros editados. Dez de Poesia e dois escritos em prosa poética, Abraão e a Encarnação do Verbo e O Senhor das Matemáticas. Participei também da Coleção Petit-POA, da Secretaria Municipal de Cultura, com poemas inéditos por mim selecionados.  Como só publiquei aos cinquenta anos, acumulei muitos escritos. Posso dizer que tenho um arsenal de poesia ainda guardado.

CLL - Como é teu trabalho? Tem um rigor, uma rotina? Como tu concilia a produção poética com a tua outra profissão?

M.C - Nesse livro citado que recém lancei na Feira do Livro, O Senhor das Matemáticas, afirmo que o poeta mais escreve quando não escreve. Ele precisa deixar que as coisas ingressem, através das emoções, em sua carne. Cecília Meireles demorou quatro anos entre sua visita a Ouro Preto e a escrita do Cancioneiro da Inconfidência, quando ela já estava impregnada dos personagens. Assim, eu começo refletindo poeticamente sobre um determinado tema e dele me apaixono. Vou gestando versos e anotando num caderno. Depois reúno os poemas sobre esse núcleo num livro, antes na máquina de escrever e agora no computador. Sou poeta temática. Giro em torno ao tema, como se fora uma partitura musical. Foi assim com Os Cantares da Semente e A Força de Não Ter Força, que me honraram com o Prêmio Açorianos.

CLL - Qual é a expectativa que tu tens com a publicação da tua poesia? Por que é importante publicar?

M.C - A expectativa quando se publica um livro, é de encontrar a empatia do leitor. O poeta se retira para que outra leitura surja. Isso é de uma beleza enorme. Eu fui tardia na publicação, mas valeu a pena. CLL - Qual a importância do Prêmio Açorianos pra ti e como tu acredita que ele repercute dentro da classe artística da região? M.C - O Prêmio Açorianos é uma festa e revela que a sociedade e o poder político estão irmanados, exercendo a cultura da cidadania. Ganhar esse Prêmio é um reconhecimento pelo valor do nosso trabalho de escritor.

CLL - Qual a importância do Prêmio Açorianos pra ti e como tu acredita que ele repercute dentro da classe artística da região?

M.C - O Prêmio Açorianos é uma festa e revela que a sociedade e o poder político estão irmanados, exercendo a cultura da cidadania. Ganhar esse Prêmio é um reconhecimento pelo valor do nosso trabalho de escritor.

A escritora encerra:

O meu primeiro verso o fiz
a minha mãe quando lhe
sensibilizei o ventre. E ela,

chorando, sentou-se à beira
da calçada, por ser mulher
madura e escassa de tempo

para parir-me. Eu nunca a
surpreendi debruçada sobre
um livro. Ela era, em fainas

de sol e desatado riso, o
Livro. E essa dificuldade
que lhe tenho congênita

em ler poesia escrita,
como os córregos que
não cabem num balde.

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