segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Entrevista: Michel Laub

Michel Laub, escritor e jornalista porto-alegrense radicado em São Paulo, é professor de criação literária e colaborador de diversas editoras e veículos (Companhia das Letras, Cosac Naify, Trip, Revista 18, IMS, Bravo, Contigo, Folha de S.Paulo). Já foi editor-chefe da revista Bravo e coordenador de publicações e internet do Instituto Moreira Salles. Tem cinco romances publicados, trabalhos pelos quais já recebeu diversos prêmios, como o prêmio Brasília e Erico Verissimo (UBE), além de possuir contos e livros lançados no exterior. Seu último romance, Diário da Queda, foi considerado um dos melhores lançamentos do ano passado (sendo inclusive apontado, aqui no blog da CLL, pelo vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura na categoria Infanto-juvenil, Marcelo Carneiro da Cunha, como um dos melhores livros de 2011) e já foi licenciado para a produção de um filme baseado na obra. Conversamos com o escritor sobre seu último livro, o tema do Holocausto, a linguagem do romance e o processo de criação literária:

CLL - Diário da Queda é um livro que lida com temas pesados como trauma, culpa e a natureza humana. A estruturação peculiar do livro, com capítulos pequenos (fragmentários) e várias histórias contadas sem linearidade temporal pelo narrador, foi um modo de distribuir melhor as "quedas" durante a narrativa ou serviu outro propósito?

Michel Laub - A forma ajuda, não só na distribuição dos fatos narrados. Os minicapítulos serviram para eu escrever de maneira mais solta que nos livros anteriores, com possibilidade de incluir uns trechos mais ensaísticos e digressivos que não caberiam numa narrativa única, porque ela perderia a fluência. 

CLL - O narrador do livro aponta o Holocausto como assunto debatido à exaustão, mas, pela trajetória de sua família e pela recorrência da discussão do assunto na contemporaneidade, não consegue desligar sua vida da tragédia. Como foi a experiência de abordar um tópico tão polêmico e pesado na escrita do romance?

Laub - Várias vezes durante a escrita eu me peguei pensando: o que eu tenho a dizer sobre esse tema que já não foi tantas vezes dito e por escritores muito melhores que eu, inclusive alguns que passaram por campos de concentração? A solução, digamos, foi trazer esse problema para dentro do livro. O narrador se faz essas perguntas o tempo inteiro. E o Diário acabou um livro não sobre Auschwitz, mas sobre a dificuldade de escrever sobre Auschwitz (entre outros assuntos).

CLL - A utilização da primeira pessoa se tornou uma espécie de característica dos seus livros. Planeja experimentar outros tipos de narradores em publicações futuras ou esta voz basta para passar a mensagem aos leitores? 

Laub - Já escrevi contos em terceira pessoa, e um dos meus romances (O gato diz adeus) tem vários narradores, o que é uma primeira pessoa relativizada, mista. A questão do ponto de vista varia de livro para livro - é a história que pede um narrador assim ou assado, e não o autor que decide isso antes de sentar para escrevê-la.

CLL - Você disse em entrevista à Folha que considera o Diário da Queda seu "melhor livro". É sempre um desafio de superação de seu trabalho anterior, para o escritor, quando ele começa a escrever um novo livro? Ou esse tipo de questão é desnecessária para o processo de criação literária?

Laub - Não dá para ficar pensando no que já se fez ou deixou de fazer. Até porque o juízo nunca será meu, e sim dos leitores. Eu poderia achar isso do Diário e ninguém ter gostado. No fundo, a repercussão de um livro é um pouco aleatória. 

CLL - A capa do livro ilustra as vidas entreligadas na narrativa (e a ruptura existente entre elas). A imagem foi planejada pelo autor ou foi produto do trabalho de um designer?

Laub - Foi uma escolha do artista gráfico, o Raul Loureiro. Ele fez as capas de quase todos os meus livros, e nunca tentei interferir nesse processo.


Você pode ler o primeiro capítulo de Diário da Queda gratuitamente no blog do autor.

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