segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As aparências enganam: sobre balé, flechas e cabeças


O compromisso aqui, leitor, é o descompromisso, portanto avisamos desde agora: haverá talvez, nesse post, spoilers fictícios (leia-se mentirosos) sobre as capas que cá estão - em suas mais superficiais aparências. Não há desrespeito, nem há piada por mera piada - há criação sobre e a partir das imagens que ajudam a intitular determinada obra. Temos, então, sobre a capa, o pré-conceito; além dela, a verdade. Fiquemos, por enquanto, amigo, com o primeiro.


A cabeça de hidra 
Carlos Fuentes

Uma tenebrosa criatura anda apavorando os moradores de Lerna. Sem muito a quem recorrer, pedem ajuda a J.Gonzáles, um detetive conhecido por possuir audição superdesenvolvida e mira certeira. O problema é que, além de ter perdido seus olhos num acidente de carro quando criança, J. Gonzáles tem um outro ponto fraco: mulheres perigosas. Em A cabeça da hidra, o detetive irá se envolver, sem saber, num romance conturbado com a própria criatura, ou melhor, com uma das cabeças da criatura a qual ele deveria exterminar.





a mão esquerda da escuridão
Ursula K. LeGuin

Edward Casablanca era canhoto. Era profunda e delicadamente canhoto. Ganhou seu primeiro uniforme de balé aos cinco anos de idade e, desde lá, nunca mais parou de dançar. Isso até descobrir a presença dos Ballets, uma civilização alienígena especializada em balé universal que começa a ganhar todos os festivais de dança do planeta Terra. Para Casablanca, isso é uma ameaça. E, sob ameças, sua mão canhota  e negra nunca falha.

   




doce sofrimento
Natalie Shainess

Mary Portmann costumava vestir-se de maneira não muito usual. Logo cedo, quando criança, demonstrava aversão quase irreconciliável a roupas. Não as usava, ou melhor, até as usava, mas como muita briga. A menina que crescera sob a lanchonete do pai – onde mais tarde trabalharia como garçonete (onde, não poucas vezes, entregava os lanches sem traje algum, afinal, roupas não eram com ela) tornou-se uma das maiores modelos do século XX. Suas roupas, ou a falta delas, tornou-se sua marca registrada, foi, não obstante exagero, uma revolução na maneira da juventude vestir-se. Dispensou, de vez, o vestuário burguês-capitalista-ocidental, e isso a tornou símbolo da liberdade corporal. Claro que isso acarretou sérios problemas de saúde a Marie, como pontadas e hipotermias, pois teimava - mesmo com as ressalvas de pudor - em não usar roupas, até mesmo em suas viagens para países de inverno rigoroso, como Alaska e Finlândia. Marie foi assassinada em Outubro de 1985, enquanto saia de casa para comprar roupas, foi atingida no peito por uma flecha. O assassino, Mark Lucas, disse às autoridades que comprara o arco e flecha naquele mesmo dia, que não saberia usar a arma e estava apenas brincando.




Para descobrir as verdadeiras histórias, venha ver as capas de perto na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães.

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