sexta-feira, 18 de maio de 2012

Chute na estante: Apolinário Porto Alegre


Andávamos por entre as prateleiras da Biblioteca Municipal Josué Guimarães, que - não por acaso - fica logo acima de onde trabalhamos, quando involuntariamente, sem querer (querendo), chutamos a estante dos poetas gaúchos. Dela caiu um livro amarelo desbotado, escrito em letras editoriais antigas: o Cancioneiro da Revolução de 1835, de Apolinário Porto Alegre. A edição não somente rendeu esse pequeno post, como também uma nova seção destinada a livros caídos das prateleiras. O compromisso é um: chutar a estante atrás de mais escritores gaúchos e denunciá-los aqui para a apreciação coletiva - para o gosto (e gozo) compartilhado.

Começamos então com o fundador republicano da Sociedade Partenon Literário. Com o fundador (e por que não?) da seção Chute na estante, do blog da CLL.

"Poesia popular: Reuni sob esta denominação as poesias colhidas da tradição oral do povo rio-grandense.", assim abre o livro o poeta rebulicano. Constituindo-se dos acervos de poesia popular que restaram da Revolução Farroupilha, a obra discute, através de dois manuscritos de Apolinário, a litertura oral e identidade literária do Rio Grande do Sul de quase dois séculos atrás.

Como a nossa passagem é rápida e rasteira, sem mais delongas, deixemo-nos levar pelos versos da Revolução o mais brevemente possível:


À PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

O dia doze de Setembro
Foi um dia soberano,
Foi no Seival que soou
O grito republicano.


ÀS FARROUPILHAS

Esta que aqui vos fala
É constante liberal,
Oprimida, perseguida
Pela corja galegal.

Mais vale uma farroupilha
Que tenha uma saia só,
Do que duas mil camelas
Envoltas em ouro em pó.


A BENTO MANUEL RIBEIRO
(Sátira gaúcha)

Pode um altivo humilhar-se,
Pode um teimoso ceder,
Pode um pobre enriquecer,
Pode um pagão batizar-se,
Pode um avarao prestar-se,
Um lascivo confessar-se;
Pode o mouro ser cristão,
O arrependido salvar-se,
Tudo pode ter perdão,
Só o - Bento Manuel - não.

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Ó do inferno terrível instrumento,
Bento!
Dos tiranos a cópia mais fiel,
Manuel!
Lá no inferno te aguardam qual primeiro,
Ribeiro!
Com um montão de chamas, um braseiro,
Bento Manuel Ribeiro! 



Chute a estante você também:

Cancioneiro da Revolução de 1835
Apolinário Porto Alegre
Apresentação e notas por Lothar Hessel
Companhia União de Seguros Gerais, 1981.
* Disponível na biblioteca municipal Josué Guimarães

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