quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Retrospectiva Açorianos: 2004

Vencedor na categoria especial: Obra completa de Simões Lopes Neto (Organização de Paulo Bentancur) 

No ano de 2004, Simões Lopes Neto foi o grande destaque do prêmio. Não só sua antologia poética foi premiada na categoria especial, como também, na modalidade ensaios de literatura, uma biografia sua foi a vencedora (João Simões Lopes Neto – uma biografia, de Carlos Francisco Sica). João Simões Lopes Neto nasceu em Pelotas no ano de 1865 e faleceu na mesma cidade, em 1916. O escritor é considerado o maior autor regionalista do Rio Grande do Sul, já que, no centro de sua obra está a preocupação em registrar a história do gaúcho e documentar suas tradições. 

Apesar de sua contribuição, só foi reconhecido postumamente, após o lançamento dos clássicos Contos Gauchescos e Lendas do Sul, em 1949, em uma edição organizada para a Editora Globo por Augusto Meyer, e apoio de Henrique Bertaso e Erico Veríssimo. Neto era membro de uma família tradicional de Pelotas, sendo descendentes de portugueses. Aos treze anos de idade, foi ao Rio de Janeiro para estudar no famoso Colégio Abílio. Após esse período, retornou para sua cidade natal, até então rica e próspera pelas abundantes charqueadas que consolidavam sua economia. Simões Lopes Neto era um empresário persistente. Fundou diversas empresas nos ramos de café, tabaco, vidros, bebidas e minério. Em 1892, casou-se com Francisca de Paula Meireles Leite. Não tiveram filhos. 

O autor iniciou sua vida literária como autor teatral, pela revista O Boato, escrita em parceria com José Gomes Mendes. Com o pseudônimo de Serafim Bemol, escreveu Mixórdia, Os Cacharéis, A Fifina e Iaiá e O Maior Credor. Também trabalhou como jornalista, nas publicações o Diário Popular e Opinião Pública. Em 1910 publicou Cancioneiro Guasca, uma coletânea de poesias populares. Em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano, escreveram, em forma de folhetim, A Mandinga, poema em prosa. 

Embora todas as suas tentativas no ramo dos negócios, no final da sua vida encontrou-se empobrecido, a conseguir sustentar-se apenas pela atividade jornalística, o que ressalta sua versatilidade e capacidade como escritor. É importante lembrar que a obra de Simões Lopes Neto não finda apenas no território gaúcho. Hoje é vista como parte integrante da literatura internacional, deslumbrada como uma expressão cultural altamente elevanda. Seus livros já foram traduzidos para diversos idiomas como italiano e japonês.

Segue abaixo um poema do escritor: 

MUSA GAÚCHA

Bonitaça no mais a Maricota.
Guapetona chinoca requeimada,
Braba como potranca malmarcada
Quando, de cola alçada, se alvorota.

Um defeito qualquer ninguém lhe nota:
Mãos pequenas, a face colorada,
E uma graça dengosa, malcriada,
Se requebra o fandango, a perdigota.

Não quer casar; e quando algum pealo
De sobre-lombo atiram-lhe, no calo
Ofendida se sente e faz negaça,

Pega o freio nos denes, e adeusito!...
Que então, como bagual que sai no jeito,
Nem à bola se pega a matreiraça!...

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