quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Super

Marcelo Carneiro da Cunha é finalista do Prêmio Açorianos de Literatura 2011 na categoria Infanto-Juvenil com o livro Super.

Dois mundos (trans)formam o decorrer da história de Super (Galera Record, 2010), de Marcelo Carneiro da Cunha. Um é constituído pelo que por nós é físico, onde corremos, vamos à escola, ao futebol, e, por isso, é denominado analógico. O outro é o digital, em que se sobrepõem os produtos e meios virtuais que dominam e/ou dominarão boa parte das coisas que um dia foram analógicas.

Nesse mundo analógico, definido como log pelo livro, vive André, um garoto como qualquer outro. No mundo digital, ou digi, ele é Prince, um hacker poderoso e de grande influência virtual. Ambos declaram a vontade de se divertir e passar o tempo de um menino só. Mas o que esse menino não imagina é que há alguns impecílios pelos quais ele deve passar para obter o seu curioso gênero de diversão.


Krull estava por ali, armado como sempre, atrás de mim, como sempre.

A Babi tinha desaparecido, e isso sempre me deixava muito preocupado. Eu era apaixonado pela Babi e acho que ela gostava de mim. Mas com garotas, quando é que a gente sabe o que elas acham da gente, de verdade, quero dizer?

Olhei lá fora, tudo muito escuro, nada de Babi. Aqui a gente não pode se descuidar por um instante. Isso aqui não é brincadeira.

Meu sensor infravermelho mostrou algo do outro lado da praça, entre uma casa toda destruída e um campo de futebol. Eu olhei pela mira do meu AK-47 modificado e a mancha continou se movendo. Krull? Olhei de novo, a mancha tinha desaparecido.


Marcelo Carneiro da Cunha é jornalista e trabalha com comunicação, livros, cinema e internet. Já publicou 15 livros, entre eles Ímpar, Insônia e Antes que o mundo acabe, tendo os dois últimos adaptações para o cinema.

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