quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quero ser Reginaldo Pujol Filho

O título do livro: Quero ser Reginaldo Pujol Filho (Não Editora, 2010), escrito por Reginaldo Pujol Filho. Os títulos dos capítulos: Quero ser Miguel de Cervantes, Quero ser Rubem Fonseca, Quero ser Machado de Assis, etc. Dentro desse "querer ser", na busca obssessiva do escritor por uma personalidade, este finalista dos Açorianos na categoria Capa consegue expressar, logo de cara, o tema central presente em todos os contos do livro - a indefinição do ser enquanto autor e a tentativa de emulação e apropriação textual das palavras de escritores renomados. Não é à toa que a face de Pujol é bloqueada pelo livro - o mesmo que o leitor tem em mãos ao ler a obra - pois o autor se encontra submerso detrás das narrativas, cada uma influenciada por um autor diferente, seja na escolha de construções frasais ou na transformação da figura histórica em personagem, gerando um amálgama de estilo próprio e emprestado, ironizando o reflexo e o diálogo entre criador, cria e observador no palco da literatura.

O produto final transmite uma espécie de sinceridade autoral: conforme o texto de Pujol, sem medo de admitir e de brincar com as influências literárias, a capa, desenhada por Samir Machado de Machado, demonstra a pluridade infinita de "querer ser" dentro do autor. Reginaldo Pujol Filho quer ser Reginaldo Pujol Filho, mas também quer ser Luis Fernando Verissimo. E Amílcar Bettega Barbosa. E Mia Couto. Nesse redemoinho de indefinições esclarecidas, paródias e apropriações desmascaradas e homenagens explícitas, o invólucro da mensagem não peca por falta de adequação: é o diálogo perfeito e o espelho completo do livro. A contra-capa segue o conceito da inserção do(s) autor(es) na obra, já que a imagem representa o escritor visto de costas, com o sumário justificador das narrativas mais uma vez obscurecendo a identidade do sujeito. É somente na orelha da contra-capa, inserido no conjunto de histórias, que a face do autor aparece, possível de ser entendida enquanto observadora, buscando identificar-se no texto "sem regras nem modelos e, principalmente, sem medo de admitir que somos todos feitos de influências."

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