quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Estalo

Finalista do Prêmio Açorianos de Literatura 2011, na categoria Infanto-Juvenil, O Estalo é o segundo livro de Luís Dill pela editora Positivo. 

Dessa vez, o autor (que, em edições passadas, já recebeu o Prêmio por Tocata e Fuga e De Carona, com Nitro) apostou numa narrativa enxuta, baseada somente no diálogo de dois adolescentes que se encontram soterrados num prédio desmoranado. Rui e Júlia são dois jovens de origens diferentes, mas que ao conversar descobrem que podem ter em comum mais do que imaginam. "A vida, diz Luís Dill, se impõe, mesmo nas circunstâncias mais difíceis", segundo Moacyr Scliar, que assina a orelha do livro.

— Grápia
— O quê?
— O nome dessa madeira, Júlia.
— Consegue pensar nisso numa hora dessas?
— Foi mal.
— Com a gente nessa situação?
— Não quis te aborrecer.
— Olha, acho que vai ser impossível alguém me aborrecer mais hoje.
— Tá com dor?
— O joelho, Rui. Os dois, na verdade. E dor nas costas também. Mas a dor pior é nos joelhos.
— Muito forte?
— A dor vai e volta. Será que quebrou?
— Não, Júlia! Não quebrou nada.
— Certeza?
— Fratura é uma coisa muito séria. Tu ia tá morrendo de dor.
— Ai, não fala em morrer, Rui.
— Tá. Não falo.
— Não quero morrer.
— Ninguém vai morrer. O pior já passou, Júlia.
— Será?
— Claro.
— Tá.
— E temos bastante ar aqui.
— Tá...
— Só não tenta te mexer.
— Ãh-rã.
— Descansa, Júlia. Tentar se mexer pode piorar as coisas.
— Olha, eu ia amar poder me mexer.
— É, eu também.
— E as tuas costelas, Rui?
— Só dói quando eu respiro.
— Ai, Rui, isso não é hora de piada. Olha onde é que a gente tá...
— Pois é, tá certo. Tudo bem. Foi mal.
— Grápia, é?
— Madeira forte, dura.
— Ainda bem, né?

Um comentário:

  1. Sou professora, li esta obra e gostei muito. Fácil compreensão, texto enxuto, linguagem acessível. Ótima. Recomendo para adotar em sala.

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