sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Truffaut e os livros

Cena de Domicílio conjugal, 1970
Além da era de ouro de Hollywood (e do jazz, da política...), uma das principais influências da Nouvelle Vague foi a literatura. Pense em Alphaville, de Godard, que une ficção-científica a Raymond Chandler. Não por acaso, os conceitos que legitimaram o movimento receberam o nome de "teoria do autor".

François Truffaut falecido em 21 de outubro de 1984 não fugiu à regra. Nada menos que 12 de seus filmes são adaptações de livros. Confira a seguir três deles:

Atire no Pianista foi baseado no livro Down There, de David Goodis. No Brasil, o livro recebeu título homônimo ao do filme e foi lançado pela L&PM. Goodis acompanha um pianista procurado por criminosos. Mas Truffaut se inspirou ligeiramente na história para meditar sobre o cinema e à literatura noir e discutir o relacionamento entre arte e comércio. 

Atire no Pianista
David Goodis
L&PM
224 pág.
R$ 14,00








Em Jules e Jim Uma Mulher para Dois, Truffaut partiu do relato semi-autobiográfico de Henri-Pierre Roché, publicado na França em 1953. Jules et Jim dava conta de dois jovens apaixonados pela mesma mulher (que, na realidade, tratavam-se do próprio Roché, o escritor Franz Hessel e a esposa deste último, Helen Grund). Truffaut encontrou o livro por acaso num sebo. Mais tarde, tornou-se amigo do escritor, que aprovava a versão cinematográfica da história. Para o leitor brasileiro, a Jorge Zahar lançou há pouco uma edição conjunta do roteiro e do livro.

Jules e Jim: o roteiro e o romance
François Truffaut e Henri-Pierre Roché
Jorge Zahar
288 pág.
R$ 52,00








Publicado nos Estados Unidos em 1953, Fahrenheit 451 é um romance de Ray Bradbury que apresenta um mundo onde a leitura é proibida e os livros são constantemente incinerados (451 graus Fahrenheit é a temperatura em que o papel queima). Sua adaptação para o cinema aconteceu em 1966 e foi o primeiro filme a cores de Truffaut e também o único falado em inglês. O diretor manteve um diário de produção, no qual escreveu que Fahrenheit foi sua experiência "mais triste e difícil" no campo do cinema. Isso parece ter se refletido na fria recepção que o filme teve, tanto da crítica quanto do público. Mesmo assim, Bradbury ficou satisfeito com a adaptação de sua história, especialmente com o final alternativo elaborado pelo diretor. A edição mais recente de Fahrenheit 451 ficou a cargo da editora Globo, em 2009.


Fahrenheit 451
Ray Bradbury
Globo
256 pág.
R$ 18,00





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