segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A morte vende livros


O que Steve Jobs, Glauco, João Paulo II e Saramago têm em comum?

Como o sexo, o amor e a violência, a morte também faz papel polêmico em nossa novela cotidiana. Por ela, muitos e muitos enredos são desenredados e outros tantos desenvolvidos. E, nesse processo de apagamento de algo e surgimento de outro, ela faz questão de, arteira, tornar comum o estado dos nomes acima citados.

Além dessa evidente (e aparente) constatação, um fato curioso atravessa as polêmicas mortes dessas personalidades. Todas elas, de alguma maneira, alavancaram a venda de certos livros.


A primeira biografia autorizada de Steve Jobs, ex-executivo-chefe da Apple, teve um aumento de 42.000% em vendas no site da Amazon desde que sua morte foi anunciada, segundo o site The Hollywood Reporter. O livro Steve Jobs, de Walter Isaacson, que será lançado no dia 24 de outubro, foi produzido através de entrevistas realizadas com amigos, familiares e colegas de trabalho. Antes da notícia da sua morte, a biografia ocupava a 424ª posição na lista dos mais vendidos da Amazon. Agora ocupa a primeira.


Logo depois da morte do cartunista Glauco Villas Boas, em março de 2010, houve, em todo o país, um súbito crescimento de vendas de seus títulos. Infelizmente, como já falaram os editores da L&PM, que distribuem três obras do autor, "esse é o tipo de boom de vendas que nenhum editor gostaria de ter". Mesmo assim, esgotaram-se os exemplares de Geraldão (Vol. 2): A Genitália Desnuda e Abobrinhas da Brasilôni, distrubuídos pela já citada editora ainda no mês de sua morte.



As vendas das obras de José Saramago aumentaram quase dez vezes nos dias seguintes à morte do escritor, ocorrida em junho de 2010, segundo fontes de duas grandes cadeias de livrarias em Portugal. A FNAC, no primeiro final de semana, confirmou o aumento da procura, que atingiu 846 % em relação aos três dias anteriores. Já na Bertrand Editora, o crescimento registrado no mesmo fim de semana foi dez vezes superior ao ocorrido no fim de semana anterior à morte do escritor. Os títulos mais vendidos foram Caim, A Viagem do Elefante e Memorial do Convento.


A morte do papa João Paulo II, em abril de 2005, aumentou as vendas do livro Anjos e Demônios, de Dan Brown, autor de O Código da Vinci, publicação considerada uma ofensa para a Igreja Católica. Como a ficção fala sobre o conclave, reunião de cardeais que irá escolher o próximo sumo pontífice, a editora Simon & Schuster acredita que o assunto tenha chamado a atenção das pessoas. Até uma semana depois da morte do papa, o livro já havia vendido mais de 8 milhões de cópias.

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