segunda-feira, 12 de setembro de 2011

180 anos de Álvares de Azevedo

Nascia, há 180 anos, na cidade de São Paulo, uma das peças essenciais para a composição do ideário pessimista brasileiro. Manuel Antônio Álvares de Azevedo, filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luísa Mota Azevedo, dava bom dia ao mundo como quem chorasse a vontade de gritar contra a agonia do seu tempo.

O poeta fora um jovem brilhante. Já no Rio de Janeiro, fez-se aluno do introdutor da escola rômântica no país, Gonçalves de Magalhães, e passou a ler poesia assiduamente. Com 16 anos, retornou à cidade natal a fim de cursar Direito. Lá se aproximou de outros poetas boêmios, como Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, e traduziu alguns autores, dentre eles Shakespeare e Byron. Entre 1848 e 1851, publicou alguns poemas, ensaios, artigos e discursos que iriam juntar-se, postumamente, a sua obra completa.

No verão de 1851, Álvares de Azevedo teve sua saúde abalada ao contrair tuberculose. Mais tarde, seu sofrimento foi agravado por uma queda de cavalo - acidente esse que lhe causou uma grave infecção e, consequentemente, a sua morte aos 20 anos.

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
(Publicado originalmente no Poemas no Ônibus)

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