quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Felicidade no topo

O último livro da escritora gaúcha Martha Medeiros, Feliz por nada, lançado em junho, está no topo da lista dos mais vendidos no Brasil. A obra reúne mais de 80 crônicas que ilustram o cotidiano de diversos ângulos, mas sempre muito próximo do leitor.

O tema felicidade nunca foi tão comentado, discutido e questionado quanto nos dias de hoje. Em entrevista à CLL, Martha explica como nos iludimos ao buscar essa felicidade de revista, irreal.

CLL - Por que o tema Felicidade chama tanto a atenção das pessoas hoje?

Martha Medeiros - A felicidade parecia mais simples tempos atrás, hoje os pré-requisitos para conquistá-la são mais desafiadores. Mas segue sendo o grande ideal do ser humano, pois, aparentemente, engloba tudo o que interessa: amor, saúde, amizade, sexo, dinheiro, lazer, trabalho, família. Só que é preciso deixar de lado essa ideia fantasiosa e ser mais realista quanto ao real significado da felicidade.

CLL -
Que tipo de felicidade é essa a que todos buscam?

Martha -
Uma felicidade de revista, uma felicidade Ilha de Caras. É uma patetice acreditar nesse idílio. A felicidade completa e radiante não existe. O que existe é a vida, com todos os altos e baixos que a caracterizam: bons e maus momentos, escolhas certas e erradas, dias produtivos e outros improdutivos. As pessoas buscam a felicidade em bares, em motéis, em viagens, em contas bancárias, quando na verdade a felicidade é apenas um estado de espírito que já está instalado dentro de cada um.

CLL - Feliz por nada desconstrói a ideia que temos de felicidade?

Martha -
Ser feliz por nada é, primeiramente, aceitar que vamos morrer. Ter consciência da nossa breve passagem pelo mundo e tentar se divertir, que é o que nos resta diante dessa transitoriedade. É não ficar se perguntando o tempo todo: será que sou feliz? Isso não importa, o que importa é a gente fazer o melhor possível com as cartas que recebemos. É estar conectado com sua própria verdade, que nem sempre coincidirá com a verdade dos outros. E não fazer mal a ninguém. Não atrapalhar, não azedar, não infernizar a vida alheia. O cara feliz é aquele que não incomoda, não fica se comparando com os outros e se vira bem estando sozinho. Essa plenitude (que inclui momentos de tristeza, raivas, decepções e tudo mais que existe) precisa ser natural, fazer parte da sua essência.


Feliz por nada
Martha Medeiros
L&PM
216 páginas
R$ 31,00

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