sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um relato abrangente

Ao lado de Duda Hamilton, o jornalista Paulo Markun lançou, em 2001, o livro 1961 - Que as Armas Não Falem. Partindo da tempestuosa renúncia de Jânio Quadros, os autores traçam a trajetória da Campanha da Legalidade e dos principais personagens envolvidos, João Goulart e Leonel Brizola, nomeadamente.

Dia 25 de julho, Markun participará do curso 50 Anos de Legalidade, durante a programação do 6º Festival de Inverno. Na entrevista abaixo, ele falou sobre o papel da imprensa na Legalidade, a figura de Leonel Brizola e a importância do "se" no estudo da história.

CLL -  Por que analisar a Campanha da Legalidade?
Markun - Conhecer a história é um prazer, acima de tudo. E ainda permite que erros do passado não sejam repetidos. No caso da Legalidade, o trabalho que Duda Hamilton e eu fizemos foi uma tentativa de construir um relato abrangente do processo, ultrapassando as fronteiras gaúchas e os limites cronológicos daqueles dias em que o Brasil viveu entre o golpe e a guerra civil. 

CLL - A Legalidade é um tema subestimado pela historiografia brasileira?
Markun - A história contemporânea é subestimada pela historiografia brasileira. A Legalidade está ligada de modo indelével à renúncia de Jânio e, por tabela, ao golpe de 64, que é muito mais estudado. 

CLL - Quanto do movimento pode ser creditado à figura de Leonel Brizola?
Markun - Brizola teve a ousadia de usar o rádio como fator mobilizador e a coragem de tomar a dianteira do processo.

CLL - Em termos gerais, qual foi o papel da mídia dentro da Campanha?
Markun - Ela teve um papel destacado no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, centro político do país (Brasília ainda engatinhava), a censura agiu de modo intenso.

CLL - A opção de Jango em favor do regime parlamentar foi importante para o Brasil?
Markun - Na história, o "se" tem pouco relevo. Mas e se Jango tivesse marchado para Brasília no comando de uma coluna de tanques, o que teria acontecido? Qual seria a reação norte-americana? Em que medida o golpe de 1964 teria sido evitado? E a que preço? São muitas perguntas.

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