terça-feira, 21 de junho de 2011

Que seja bem vindo o aconchego

Às 14h e 16min de hoje iniciou no hemisfério sul a estação mais poética e aconchegante do ano. Embora odiado por muitos por conta dos ventos e da umidade característicos de nossa região, não se pode negar que o inverno convida ao aconchego e, por que não, a uma boa leitura.
E é para o embalo cálido das lareiras e fogões que a CLL recomenda 4 livros com a temática da estação.


As crônicas de Paulo Ribeiro em Quando cai a neve no Brasil (Artes e Ofícios, 204 páginas, R$ 26,00) registram o mundo dos Campos de Cima da Serra. Aquele pedaço que mais despenca para Santa Catarina do que se agarra no Rio Grande do Sul. Ficção e documentário se cruzam para desvelar tipos humanos que, de tão escondidos no mapa, o Brasil nem sabe, ou mal sabe, que existem. Ausentes em diversos sentidos da palavra, os personagens destas crônicas são reveladores de nossa rede cultural.


Grandes paixões se fazem, também, de experiências dolorosas. Jardim de Inverno (Companhia das Letras, 272 páginas, R$48,00) , livro que Zélia Gattai publicou em 1988, reúne parte dos momentos que ela e Jorge Amado viveram nos anos de exílio europeu. Refugiados na Tchecoslováquia, no Castelo dos Escritores, em Dobris, os dois viveram, apesar da angústia e da saudade, momentos inesquecíveis, como a viagem no célebre Transiberiano que os levou à China, na época um país indevassável, e a visita à Mongólia, terra “encravada nos confins do mundo”. A autora avança até o Congresso Mundial da Paz, realizado no Ceilão em 1957, onde o casal esteve ao lado de Matilde e Pablo Neruda; a Salvador de 1968, quando receberam a visita inesperada do cineasta Roman Polanski; e o ano de 1984 quando, em Paris, Jorge foi condecorado com a Legião de Honra.


Uma forte tempestade durante o vôo São Paulo-Lima, a mais nova rota da Conexão Brasil Linhas Aéreas, obriga a aeronave a fazer um pouso desastroso no coração da Selva Amazônica. Lá, os únicos seis sobreviventes terão que se unir para saírem com vida do inóspito ambiente. O problema é que, durante uma brincadeira inocente para ajudar a atravessar a madrugada fria da selva, revelações e confidências farão seus destinos cruzarem-se de maneira assustadora. Inverno Selvagem (Novo Século, 245 páginas, R$ 35,00), de Gustavo Melo, certamente levará o leitor a agonizar junto com os passageiros do vôo 1291 da primeira à última página.


Luis Coronel, que em suas palavras diz escrever não para emocionar os outros, mas a si mesmo, quis nos poemas de Um Girassol na Neblina (AGE, 119 páginas, R$ 14,90) dizer dessa contradição entre entusiasmo e padecimento, fios que tecem o cotidiano viver.

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