quarta-feira, 8 de junho de 2011

7 de junho, Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

Ontem, 7 de junho, foi comemorado o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. Passados 47 anos desde o golpe militar que fez o Brasil imergir em profundo silêncio, histórias e personagens daquele tempo permanecem vivas para lembrar o poder e o valor das palavras.

Para marcar a data, a CLL entrevistou o jornalista Flávio Tavares, na época militante de esquerda e um dos presos políticos enviados para o exílio no episódio do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrik.

CLL - Por ter vivido o golpe de 64, como militante e jornalista, sentiu a impotência diante da repressão. Em que momento tu mais lamentaste a impossibilidade de se expressar?

Flávio Tavares - Logo após o AI 5, percebi que a bestialidade da censura ia dominar o país sem que ninguém percebesse: foi quando, dias antes do Carnaval de 1969, no Rio de Janeiro censuraram a previsão do tempo. Sim, a previsão do tempo. Fazia calor de 40 graus e os jornais eram obrigados a mencionar que se esperava "clima ameno" para o Carnaval. Com isto, queriam atrair mais turistas estrangeiros e evitar que os europeus esperados em aviões e navios desistissem de viajar pelo calor infernal. Se até a previsão do tempo e a temperatura eram censuradas, o que mais restava na imprensa??? Nada.

CLL - Que vestígios daquele tempo permanecem nos dias de hoje em relação à censura?

Flávio - O medo persiste entre os jornalistas, como coisa inconsciente, subjacente. O medo de ser independente, de não acreditar mecanicamente no que dizem os " donos do poder" - sejam "donos" do poder politico ou do poder financeiro-empresarial. Hoje poucos jornalistas pesquisam na realidade, e isto é herança maldita da ditadura militar.

CLL - Na tua opinião, o que significa liberdade de imprensa? Este conceito é entendido e aplicado de maneira correta?

Flávio - Nas condições atuais, liberdade de imprensa significa ser independente, não se atrelar a ideias fixas vindas de cima e, ao mesmo tempo, ter capacidade de discernir. O ideal seria que os meios de difusão fossem também independentes, que os jornalistas fossem donos dos jornais, ou que tivessem as concessões de TV e rádio. Mas, assim não sendo, sejamos independentes, sem medo de ser independentes. Desprezemos a adulação e os aduladores.

Dica de leitura:

Memórias do Esquecimento
Editora Globo
R$ 35,00
280 páginas



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