segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ilha Deserta

A náufraga dessa semana é a porto-alegrense Leticia Wierzchowski. A autora estreou na literatura em 1998 com o romance O Anjo e o Resto de Nós, mas foi com sua quinta obra, A Casa das Sete Mulheres, que ganhou destaque nacional. Com livros traduzidos para inúmeros idiomas, é autora de romances, novelas, contos, crônicas, literatura infantil e infanto-juvenil, entre suas publicações estão Prata do Tempo (Record), Um Farol no Pampa (Record), Uma Ponte para Terebin (Record) e Era uma Vez um Gato Xadrez (Record).

Qual livro você levaria para uma ilha deserta?
Leticia
Wierzchowski - O livro que eu levaria para uma ilha é Memórias de Adriano, da autora belga Marguerite Yourcenar. Entre tantos romances inesquecíveis, esse é um impressionante retrato da alma humana, suas faces obscuras, sua capacidade de amar e de se superar. Além disso, uma reconstituição histórica primorosa, a mais bela aula que já tive sobre o Império Romano.

O livro:
Memórias de Adriano (Nova Fronteira, 336 pp, R$32,90) é uma autobiografia romanceada do imperador romano que viveu no século 2, baseada numa minuciosa pesquisa histórica. Yourcenar começou a escrever o livro em meados dos anos 20 e, depois de destruir várias versões do texto, publicou-o em 1951, com sucesso absoluto. Adriano é retratado como o governante ideal: cultor do classicismo grego, protetor das artes e político preocupado com vida dos escravos.

Trecho:
"Comer em excesso é hábito romano. Eu, porém, fui sóbrio por volúpia. Hermógenes nada teve que modificar em meu regime a não ser talvez a impaciência que me obrigava a devorar, não importa onde fosse e a qualquer hora, a primeira iguaria servida para saciar de uma só vez as exigências da minha fome. Não seria próprio do homem rico, que não conheceu jamais senão uma privação voluntária e disso não fez mais do que uma experiência a título provisório, como um dos incidentes mais ou menos excitantes da guerra e da viagem, vangloriar-se de não se exceder à mesa. Embriagar-se em certos dias de festa foi sempre a ambição, a alegria e o orgulho dos pobres. Agradava-me o odor das carnes assadas e o ruído das marmitas raspadas nas festas do exército, e que os banquetes do acampamento (ou que num acampamento se pode chamar de banquete) fossem o que deveriam ser sempre: um alegre e grosseiro contrapeso às privações dos dias de trabalho. Tolerava bastante bem o odor das frituras nas praças públicas no tempo das Saturnais."

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